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    <title>Margem Viva</title>
    <description>A Margem Viva reúne textos e coleções sobre design, acessibilidade e vida na internet, a partir do que observo enquanto desenho, penso, vivo no fisico e no digital (e na interseção entre eles).</description>
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    <lastBuildDate>Sun, 25 Oct 2026 00:58:25 +0000</lastBuildDate>
    
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      <title>A gente era tão amigo, lembra?</title>
      <description>&lt;p&gt;Terminei de assistir a &lt;em&gt;Carrie&lt;/em&gt; com aquele sentimento de vingança bem feita. Para quem não conhece a história, Carrie é uma adolescente que sofre com a crueldade dos colegas, o bullying e a dificuldade de encontrar um lugar onde possa simplesmente ser feliz.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ela só queria estudar, fazer amigos e construir aquelas lembranças que a gente deveria guardar com carinho da adolescência, mas nem todo mundo tem essa sorte. Como sempre, trouxe a história dela para minha vida.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;será-que-estou-sendo-muito-egocêntrico&quot;&gt;Será que estou sendo muito egocêntrico?&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Na adolescência, sempre tive uma proximidade com os “esquisitos”. Andava com a turma dos nerds, dos estudiosos, daqueles que nem sempre eram os mais populares. Alguns deles atravessaram os muros da escola e se tornaram amigos de verdade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Lembro de uma época em que caí numa turma praticamente 100% evangélica. Eu e outro colega éramos os únicos que não fazíamos parte daquele universo. E olha que nem era uma escola religiosa! Foi só o azar de cair na turma errada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O papo era religião o tempo inteiro. Conseguiram até convencer a direção a criar um intervalo bíblico diário. Aquilo foi o estopim. Mudei de turno e consegui aproveitar os últimos quatro meses do ano com alguma normalidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas, tirando esse episódio, eu tive uma adolescência relativamente tranquila. Conseguia circular entre os diferentes grupos da escola e, depois, da faculdade. Tinha amizade com todo mundo, uns mais próximos, outros nem tanto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O curioso é que, mesmo cercado de gente, havia uma parte enorme da minha vida que ninguém conhecia.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu ainda estava no armário. Enquanto os colegas chegavam na segunda-feira contando sobre os namoros, as festas e os acontecimentos do fim de semana, eu quase nunca tinha novidades para compartilhar. Pelo menos não com eles. Minha vida fora da escola acontecia principalmente com aqueles amigos &lt;em&gt;outsiders&lt;/em&gt;, com quem eu conseguia ser um pouco mais eu. E, apesar disso tudo, quando penso na adolescência, lembro de uma fase feliz. Tenho boas histórias, pessoas queridas e lembranças que guardo com carinho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez seja justamente por isso que olhar para essas amizades hoje me provoque tanta tristeza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu realmente acreditava que chegaria à vida adulta acompanhado de muitas das pessoas que conheci pelo caminho. Os amigos da escola, da faculdade, dos trabalhos por onde passei. Cada fase trouxe gente nova, histórias, conversas e aquela sensação de que algumas amizades durariam para sempre.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas a vida foi acontecendo. Da escola, ficou um ou outro. Da faculdade, também. Dos trabalhos, a mesma coisa. Algumas pessoas simplesmente desapareceram da minha rotina. Outras continuam por perto, mas já não temos aquela convivência de antes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E, quando olho para tudo isso, percebo que meu círculo de amizades ficou muito menor do que imaginava. Hoje consigo contar nos dedos quantos amigos tenho e isso me entristece mais do que gostaria de admitir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Assunto para terapia? &lt;em&gt;Sim, claro!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;não-posso-dizer-que-fui-uma-pessoa-solitária&quot;&gt;Não posso dizer que fui uma pessoa solitária&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Pelo contrário, conheci muita gente, circulei por diferentes grupos e construí relações que foram importantes para mim. Talvez seja justamente por isso que essa percepção me entristeça tanto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Às vezes me pergunto se deixei de cultivar determinadas amizades, se as pessoas também se afastaram ou se simplesmente fomos seguindo caminhos diferentes. A vida adulta chega, as responsabilidades aumentam, os encontros ficam mais difíceis e aquele “vamos marcar alguma coisa” vai se transformando em anos sem notícias e o mais curioso é que nem sempre existe uma briga, uma decepção ou um motivo específico. Às vezes, a gente só deixa de fazer parte da vida um do outro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Será que isso acontece com todo mundo? A gente passa a vida conhecendo pessoas para, no fim, manter contato com tão poucas? Será que vamos ficando mais seletivos ou simplesmente perdemos a capacidade de manter tantos vínculos?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E aí me pego pensando numa coisa ainda mais triste: quando envelhecemos, quem fica? Os amigos? A família? Quem a gente encontra pelo caminho?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Voltei a pensar em &lt;em&gt;Carrie&lt;/em&gt;. Ela queria tanto pertencer a algum lugar.&lt;br /&gt;
Eu, que passei boa parte da adolescência circulando entre tantos grupos, cheguei à vida adulta me perguntando para onde foram aquelas pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez eu sinta falta de algumas delas. Talvez sinta falta daquela época em que sempre havia alguém por perto, alguma história para contar, algum encontro acontecendo ou talvez seja um pouco das duas coisas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não tenho uma resposta. E, sinceramente, nem sei se preciso encontrar uma agora, mas, pelo menos, ainda tenho gente boa com quem contar e espero que essas pessoas saibam o quanto são importantes para mim.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Fri, 16 Oct 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/a-gente-era-tao-amigo-lembra/</link>
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      <title>Eu não quero ter que agradecer por existir</title>
      <description>&lt;p&gt;Tenho medo do que pode acontecer com o Brasil nos próximos anos. E, sendo um homem &lt;a href=&quot;/identity/&quot;&gt;LGBT&lt;/a&gt;, esse medo vai muito além de uma eleição.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Medo por mim, pelos meus amigos, pelas pessoas que amo. Medo de que discursos de ódio ganhem ainda mais força e de que algumas pessoas se sintam autorizadas a nos violentar, humilhar ou simplesmente decidir que temos menos direito de existir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi pensando nisso que resolvi pesquisar o que os governos brasileiros fizeram pelos nossos direitos, especialmente o PT. E sim, houve avanços importantes. O &lt;a href=&quot;https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/brasil_sem_homofobia.pdf&quot;&gt;Brasil sem Homofobia&lt;/a&gt;, a &lt;a href=&quot;https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2836_01_12_2011.html&quot;&gt;Política Nacional de Saúde Integral LGBT&lt;/a&gt; e o &lt;a href=&quot;https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8727.htm&quot;&gt;reconhecimento do nome social&lt;/a&gt; são alguns exemplos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também houve recuos, como a &lt;a href=&quot;https://novaescola.org.br/conteudo/12465/livro-exibido-por-bolsonaro-nao-faz-parte-de-kit-gay&quot;&gt;suspensão do material Escola sem Homofobia&lt;/a&gt; durante o governo Dilma e muitas das nossas maiores conquistas, como o &lt;a href=&quot;https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/1754&quot;&gt;casamento civil igualitário&lt;/a&gt;, vieram de decisões do Judiciário, depois de anos de luta dos movimentos sociais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Reconheço os avanços do PT e também cobro seus erros, não vejo contradição nisso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que me assusta no bolsonarismo é que seu histórico vai muito além de promessas eleitorais. O maldito do pai, já &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/836144-deputado-federal-defende-na-tv-agressoes-fisicas-para-mudar-filho-gayzinho.shtml&quot;&gt;defendeu agressões físicas para mudar o comportamento de um filho gay&lt;/a&gt;, em 2010, e chegou a &lt;a href=&quot;https://pensamentoscg.blogspot.com/2011/07/jair-bolsonaro-entrevista-playboy.html&quot;&gt;declarar que preferia um filho morto a um filho homossexual&lt;/a&gt;. Anos depois, ajudou a transformar o combate à homofobia nas escolas numa campanha de desinformação sobre o chamado &lt;a href=&quot;https://apublica.org/2018/10/a-eleicao-do-kit-gay/&quot;&gt;“kit gay”&lt;/a&gt;, que chegou a ser &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/ministro-do-tse-determina-exclusao-de-publicacoes-com-expressao-kit-gay-usadas-por-bolsonaro.shtml&quot;&gt;alvo de determinação de remoção pelo TSE&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Suas crias também participaram desse ambiente político. &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2011/06/936930-filho-de-bolsonaro-insinua-que-mandou-gays-chuparem-o-dedo.shtml&quot;&gt;Carluxo ironizou pessoas gays publicamente&lt;/a&gt;, enquanto &lt;a href=&quot;https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2019/12/07/felipe-neto-critica-fala-de-eduardo-bolsonaro-e-o-chama-de-quadrupede.htm&quot;&gt;o traidor fez uma comparação depreciativa envolvendo famílias homoafetivas&lt;/a&gt;. Flávio tem um histórico próprio, inclusive com &lt;a href=&quot;https://www25.senado.leg.br/web/atividade/pronunciamentos/-/p/pronunciamento/506166&quot;&gt;voto favorável a uma proposta de proteção de pessoas LGBT+ encarceradas&lt;/a&gt;, embora acompanhado de ressalvas sobre identidade de gênero. Isso também precisa ser reconhecido.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como esquecer o restante? Como ouvir um pai dizer que prefere um filho morto a um filho gay e acreditar que esse discurso não produz consequências? Como não pensar nos adolescentes que escutam isso dentro de casa, nas pessoas expulsas de suas famílias, em quem aprende desde cedo a esconder o que sente?&lt;/p&gt;

&lt;figure&gt;&lt;img alt=&quot;Azulejo de parede escrito: amem travestys, boycetas e nb&apos;s dê mais amor do que vc recebe&quot; src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2016-10-12-eu-nao-quero-ter-que-agradecer-por-existir-azulejo.jpg&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;

&lt;h2 id=&quot;eu-não-consigo-tratar-essas-coisas-como-simples-divergências-políticas&quot;&gt;Eu não consigo tratar essas coisas como simples divergências políticas.&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Quando comparo os programas apresentados por Lula e Flávio para o próximo mandato, encontro compromissos explícitos com nossos direitos no primeiro e não encontro propostas específicas para a população LGBTQIA+ no segundo documento analisado. Sei que um programa eleitoral não garante a execução de políticas e que a ausência de uma proposta não permite prever todas as decisões de um governo, mas o histórico político importa. As palavras importam e as pessoas que podem sofrer as consequências importam ainda mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Penso nos meus amigos, nas pessoas trans, nos jovens que ainda têm medo de contar quem são e em quem enfrenta violência dentro da própria casa. Penso também em como a fé, que poderia ser um espaço de acolhimento, tantas vezes acaba sendo usada para justificar nossa rejeição.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não quero ter que agradecer a um partido por reconhecer minha existência. Quero poder cobrar de qualquer governo o compromisso de proteger nossas vidas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;e-é-por-isso-que-vou-votar-em-lula&quot;&gt;E é por isso que vou votar em Lula.&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Não porque ache que o PT seja perfeito, nem porque tenha esquecido suas concessões, erros e oportunidades perdidas. Vou votar nele porque, olhando para a minha história e para o que está em disputa, ainda encontro em Lula uma possibilidade de esperança.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sou LGBT, sou da classe trabalhadora e sou nordestino. Essas três coisas atravessam a maneira como enxergo o Brasil. Quando penso em Lula, penso também em alguém que veio do Nordeste, conheceu a pobreza, foi trabalhador e chegou à Presidência. Essa trajetória tem um significado enorme para mim, mesmo que eu não concorde com todas as suas escolhas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quero um país onde minha origem não seja motivo de desprezo, onde trabalhar permita viver com dignidade e onde amar alguém não seja motivo de medo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sei que Lula não vai resolver tudo. Vou continuar cobrando políticas públicas, orçamento, proteção e resultados. Nesta eleição, minha escolha também carrega a esperança de que o Brasil possa ser um lugar menos hostil para quem sempre precisou lutar para ser respeitado.&lt;/p&gt;

&lt;figure&gt;&lt;img alt=&quot;Wagner segurando um leque&quot; src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2016-10-12-eu-nao-quero-ter-que-agradecer-por-existir-leque.jpg&quot; /&gt;
&lt;/figure&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Eu quero continuar vivo. Quero que os meus continuem vivos. Quero que a gente possa existir sem precisar negociar nossa dignidade a cada eleição.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E quero continuar acreditando que o país onde nasci também pode ser um lugar para nós.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Mon, 12 Oct 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
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    </item>
    
    <item>
      <title>A culpa tem boa memória</title>
      <description>&lt;p&gt;Essa semana assisti a &lt;em&gt;Verity&lt;/em&gt;, um filme sobre uma ghostwriter contratada para assumir os livros de uma escritora de best-sellers de terror, daqueles que a gente encontra em qualquer aeroporto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que achei mais interessante foi como o filme brinca com a verdade. A gente passa boa parte do tempo tentando adivinhar o que vai acontecer, quem está mentindo, quem está falando a verdade, quem está escondendo alguma coisa. Eu mesmo fico nessa mania de tentar descobrir o final antes de chegar nele. E aí o filme vai colocando algumas certezas em dúvida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A verdade é um negócio complicado, né?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na adolescência, já levei culpa por coisas que nem sabia que tinham acontecido. E quando finalmente soube, descobri que nem tinha sido eu, mas adiantou de quê? A culpa continuou comigo. A pessoa que tinha sofrido escolheu acreditar na versão que fazia sentido para ela e pronto. Eu fiquei com uma culpa que nem era minha.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;vida-que-segue-ou-quase&quot;&gt;Vida que segue. Ou quase.&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Quando comecei a terapia, acho que uma das primeiras coisas que falei ao terapeuta, a segunda ou terceira frase, foi:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Tudo o que eu contar daqui pra frente é a versão que existe na minha cabeça hoje. Não quer dizer que foi exatamente assim que aconteceu, nem que eu sentia naquela época o que sinto agora.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Eu lembro de ter falado isso porque sempre achei meio estranho contar histórias sobre mim mesmo com tanta certeza. Principalmente as antigas. Tem coisa que eu lembro perfeitamente, ou pelo menos acho que lembro. Outras eu já contei tantas vezes que nem sei mais se lembro do acontecimento ou da história que costumo contar sobre ele.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E tenho um certo medo de quem lembra de tudo com uma precisão absurda. Gente que sabe o dia, o mês, o ano, se era de manhã ou de tarde, a roupa que estava usando. Como é que pode? Eu mal lembro o que fiz terça-feira passada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Seja porque vivo meio sem roteiro. Já tenho tanta trava na vida que ainda ter que organizar minhas lembranças por data seria demais, mas às vezes fico pensando:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;quantas coisas eu tenho certeza de que aconteceram de um jeito e talvez tenham acontecido de outro?&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;quantas vezes alguém saiu como vilão de uma história minha sem nem saber? E&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;quantas vezes fui eu o vilão na história de alguém?&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Essa última eu sei que aconteceu e é uma sensação horrível.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O pior é que nem sempre adianta explicar.&lt;/strong&gt; Tem gente que já decidiu o que aconteceu, o que você fez, o que você quis dizer. E você pode falar, mostrar, tentar reconstruir tudo, mas a pessoa continua com a versão dela.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E aí você fica com aquilo. Às vezes por anos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tenho pensado bastante nisso nesses dias de eleição.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Estou vendo tanta gente falando com uma certeza que me assusta. Gente que conheço, de quem gosto, defendendo coisas que eu simplesmente não consigo entender. E o mais estranho é perceber que, na cabeça dessas pessoas, tudo faz sentido. Existe uma explicação, uma justificativa, uma verdade que organiza tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu sei que também tenho as minhas. Seria muita pretensão achar que estou imune a isso, mas tem uma coisa que me incomoda nessa história de cada um ter sua verdade. Até onde vai essa liberdade de escolher no que acreditar? Porque quando essa escolha começa a atingir a vida dos outros, a conversa muda.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma lembrança errada pode acabar com uma amizade, com uma relação, com a maneira como alguém é visto. Agora imagina quando essa mesma disposição de acreditar no que convém passa a orientar escolhas que afetam tanta gente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E provavelmente seja isso que mais me dê medo, tem gente que escolhe uma verdade, dorme tranquila e segue a vida. Enquanto isso, outras pessoas precisam acordar todos os dias e lidar com as consequências daquela escolha.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vida que segue pra quem consegue, né?&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Sat, 10 Oct 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/a-culpa-tem-boa-memoria/</link>
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      <category>Terapia</category>
      
      <category>Cinema</category>
      
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      <title>Um animal sem dono</title>
      <description>&lt;p&gt;Recentemente, peguei um Uber indo para o oftalmo. O motorista estava ouvindo &lt;a href=&quot;https://www.arcadefire.com/&quot;&gt;Arcade Fire&lt;/a&gt;. Elogiei o bom gosto, disse que adorava a banda e que tinha um motivo ainda maior para gostar dela.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas preciso voltar um pouco.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Minha relação com Painho nunca foi das melhores. Quando eu tinha uns 17 anos, ele me colocou contra a parede e perguntou se eu era gay. Eu me senti acuado, com medo e ele jogou muito ódio em cima de mim na forma de palavras. Retrato de um tempo? Retrato dele ser assim? Hoje, não importa muito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Daquele momento até a desencarnação dele, existiu um muro entre nós. Um muro que eu mesmo ajudei a construir, com blocos maciços de afastamento, embora o respeito continuasse ali. E, estranhamente, &lt;strong&gt;a música atravessava esse muro&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era a época em que começaram a bombar aqueles discos com centenas de MP3. Aprendi a “queimar” CDs no Nero, ripava outros no Windows Media Player e completava a coleção com o que encontrava no Soulseek. Painho gostava de música clássica e eu comecei a gravar discos para ele. Foram milhares. Acho que cheguei perto de 5 mil CDs, todos nomeados e organizados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mesmo com aquele muro de concreto entre a gente, eu ainda olhava para fora de vez em quando e permitia que aquele ritual existisse. Porque, apesar de tudo, eu amava Painho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ou &lt;em&gt;amo&lt;/em&gt;. (Não sei muito bem qual tempo verbal usar para quem morreu.)&lt;/p&gt;

&lt;figure class=&quot;polaroid&quot;&gt;
&lt;img src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-10-03-um-animal-sem-dono-eu-painho.png&quot; alt=&quot;Homem segura uma criança pequena no colo e olha para ela sorrindo, enquanto a criança, vestida de rosa e branco, mantém um dos braços levantado.&quot; /&gt;
&lt;figcaption class=&quot;caption&quot;&gt;Eu e painho, quando eu ainda cabia nos braços dele.&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;

&lt;p&gt;Eu amava muito aquilo que meu pai, meu “herói”, representava para mim. Talvez menos o homem concreto e mais aquela figura imagética de perseverança que construí ao longo da vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu também gravava meus próprios discos. Em um deles estava &lt;em&gt;Funeral&lt;/em&gt;, do Arcade Fire. Painho ouviu e ficou encantado. Depois baixei &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=SsbxFmjFruk&amp;amp;list=PLwhUctS6MWwtPsVcgD-7J1S9sc34rcl5t&amp;amp;index=7&quot;&gt;um show da banda&lt;/a&gt; para ele. Tenho quase certeza de que era esse que ainda hoje consigo encontrar no YouTube. Arcade Fire acabou virando uma dessas coisas improváveis que existiam entre nós. Uma fresta naquele muro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi mais ou menos isso que contei ao motorista, só que em muito menos palavras. Então ele começou a falar dele. Disse que não teve contato com o pai desde muito novo. Foi criado pela mãe, que tinha morrido em abril daquele ano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não sei exatamente em que momento aquela conversa deixou de ser sobre Arcade Fire.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele contou que tinha parado de tomar o remédio que a psiquiatra havia prescrito porque sentia que estava ficando sem emoções. Continuou falando da mãe, da relação dos dois, de como estava vivendo desde que ela morreu. Até que soltou:&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;eu-sou-um-animal-sem-dono-solto-no-mundo-agora&quot;&gt;“Eu sou um animal sem dono, solto no mundo agora.”&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Aquilo me pegou de jeito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Depois mudamos de assunto. Falamos amenidades e a viagem continuou como qualquer outra viagem de Uber. Mas a frase veio comigo. Porque hoje, quando penso em quem ainda me segura no mundo, em quem é aquela pessoa para quem eu ainda sinto que devo satisfação, penso em Mainha.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tenho família. Cada um com seus maridos, esposas, filhos e suas próprias vidas. Sou casado e torço para que seja para sempre. Mas também sei que a vida não assina contrato garantindo que as coisas permanecerão como estão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mainha continua sendo esse ponto fixo. E em algum momento, espero que muito distante, ela também vai embora.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;eu-vou-ser-órfão&quot;&gt;Eu vou ser órfão.&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Não sei como vou lidar com isso. O luto de Painho dói menos hoje. O tempo mudou algumas coisas e eu também mudei. Às vezes penso nele com a cabeça que tenho agora. Como seria mostrar determinada banda para ele? O que ele acharia disso? Será que estaríamos falando mal do Bolsonaro juntos?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;São perguntas meio inúteis, eu sei. Mas talvez parte do luto seja continuar imaginando conversas com alguém que já não pode responder.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A morte de Painho também consolidou algo em mim. Eu acredito em reencarnação. O espiritismo me ajudou a lidar com a morte dele e, depois, com a de Voinha, mãe dele. Com ela, inclusive, a dor foi diferente. Menor, talvez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não sei se alguma crença vai tornar simples o luto por Mainha. Espero que essa seja uma questão para um futuro muito distante. Ainda quero viver muitos momentos com ela antes de precisar descobrir a resposta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez tenha sido por isso que a frase daquele homem tenha vindo comigo depois que saí do carro.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;“Eu sou um animal sem dono, solto no mundo agora.”&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Não sei se um dia vou me sentir assim, espero demorar muito para descobrir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Enfim.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Sat, 03 Oct 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
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      <category>Família</category>
      
      <category>Memória</category>
      
      <category>Música</category>
      
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      <title>Eu sempre ouço até o fim</title>
      <description>&lt;p&gt;“Codinome Beija-Flor” começa e meu corpo reage antes que eu consiga prestar atenção na letra. Sinto um nó no peito, a garganta seca e os olhos lacrimejam. É uma tristeza que chega de verdade, embora eu não saiba dizer de onde vem. Já ouvi a música muitas vezes. &lt;strong&gt;A reação se repete em todas elas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu poderia passar para a próxima faixa. Nunca passo. Escuto até a voz de Cazuza terminar e, pouco depois, sigo o dia. O estranho é essa certeza de que a música vai me abalar e a vontade de ficar nela mesmo assim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Durante muito tempo, ouvi sobretudo indie rock gringo. Ainda ouço bastante. Mas “&lt;a href=&quot;/music/maria-bethania-brasileirinho-2003.html&quot;&gt;Brasileirinho&lt;/a&gt;”, na voz de Maria Bethânia, abriu uma porta que eu não fechei mais. Passei a ouvir música brasileira sem me preocupar muito com gênero ou época. Fui de &lt;a href=&quot;gal-costa-a-pele-do-futuro-2018.html&quot;&gt;Gal&lt;/a&gt; e Caetano a &lt;a href=&quot;liniker-e-os-caramelows-goela-abaixo-2019.html&quot;&gt;Liniker&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;cicero-cancoes-de-apartamento-2011.html&quot;&gt;Cícero&lt;/a&gt;, encontrando canções que ficaram comigo por motivos diferentes. Algumas eu sei explicar. “Codinome Beija-Flor” resiste às minhas tentativas.&lt;/p&gt;

&lt;iframe width=&quot;838&quot; height=&quot;472&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/hpbY4EkKxhU&quot; title=&quot;Cazuza &amp;amp; Barão Vermelho - Melhores Momentos&quot; frameborder=&quot;0&quot; allow=&quot;accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share&quot; referrerpolicy=&quot;strict-origin-when-cross-origin&quot; allowfullscreen=&quot;&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;p&gt;A música saiu em 1985, no primeiro disco solo de Cazuza, depois de sua passagem pelo Barão Vermelho. Ele a escreveu com Ezequiel Neves e Reinaldo Arias. Quando fui procurar sua história, encontrei o relato de que Cazuza e Ezequiel trabalharam na letra durante uma internação. Encontrei também especulações sobre quem seria o beija-flor. Ezequiel, perguntado diretamente sobre isso, disse que a imagem não se referia a uma pessoa específica.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Essa resposta me fez voltar ao título. Um codinome existe para que alguém possa ser chamado sem ser identificado por todo mundo. É uma palavra que protege e aproxima. Quem está de fora pode ouvi-la, mas não conhece a pessoa inteira que existe por trás dela. Talvez por isso a canção pareça tão íntima mesmo sem nos entregar uma história completa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Logo no começo, a voz questiona a necessidade de fingir que perdoou. É um jeito desconfortável de iniciar uma canção de amor. Parece que houve um fim, ou pelo menos uma ruptura, e agora duas pessoas precisam descobrir como se comportar uma diante da outra. Há a possibilidade de ficarem amigas, de conversarem com educação, de encontrarem palavras aceitáveis para o que aconteceu. A pergunta é se alguma dessas atitudes corresponde ao que elas sentem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que me prende é que a música não deixa a mágoa organizar tudo. Quem canta se irrita com a encenação, mas continua atento à outra pessoa. Ainda existe desejo, memória do corpo, uma maneira particular de chamá-la. Mesmo quando tenta estabelecer distância, a voz se aproxima. Ouço essa oscilação o tempo todo, como se cada frase precisasse atravessar o que ainda resta da relação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez eu chore porque reconheço algo nessa dificuldade de dar uma forma clara a um sentimento, mas não lembro de um rompimento específico quando a música toca. Não há uma pessoa cujo rosto apareça imediatamente na minha cabeça. Dizer que ela fala de saudade seria chegar perto, só que ainda faltaria explicar por que a tristeza vem tão rápido, antes de eu pensar em qualquer coisa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tenho uma reação parecida com “Todo Homem”. É outra música que me pega por um caminho que não sei reconstruir direito. Isso me faz desconfiar das explicações muito fechadas sobre o que uma canção significa para quem a ouve. Posso pesquisar a composição, ler a letra com cuidado e perceber detalhes que antes tinham passado por mim. Nada disso determina o que vou sentir quando a voz começar de novo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Recentemente, ouvi “Codinome Beija-Flor” como trilha de uma publicação com pinturas. Fiquei olhando as imagens e só li as frases sobre elas no final. A música já tinha feito o que sempre faz comigo. Foi esse reencontro que me deu vontade de escrever, talvez para passar mais tempo com uma pergunta que costuma durar apenas alguns minutos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ainda não tenho uma resposta&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Gosto de reparar no modo como a canção guarda alguém sem dizer quem é. Entendo a recusa de fingir que está tudo bem. Presto atenção na ternura que sobrevive à mágoa. E, quando os primeiros acordes chegam outra vez, tudo isso continua menor que o nó na garganta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Então eu ouço até o fim.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Fri, 25 Sep 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/eu-sempre-ouco-ate-o-fim/</link>
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      <category>Música</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Quando um desafio de blogagem vira uma campanha de RPG</title>
      <description>&lt;p&gt;Eu conheço o termo &lt;strong&gt;BEDA&lt;/strong&gt; há algum tempo, a proposta é “simples”:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Blog Every Day in August&lt;/em&gt;, publicar alguma coisa no blog todos os dias durante agosto. São 31 dias, 31 oportunidades de escrever e também 31 oportunidades de abrir o editor e pensar: &lt;strong&gt;“por que eu fui inventar de participar disso?”&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;O que me chamou atenção no &lt;a href=&quot;https://entreblogs.com.br/beda/2026&quot;&gt;BEDA&lt;/a&gt; organizado pelo &lt;a href=&quot;https://entreblogs.com.br/&quot;&gt;EntreBlogs&lt;/a&gt; foi o que fizeram em volta dessa regra. &lt;a href=&quot;https://bamoretti.com/&quot;&gt;Bárbara Moretti&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;https://www.igormedeiroz.com/&quot;&gt;Igor Medeiroz&lt;/a&gt; e as outras pessoas envolvidas na organização criaram &lt;strong&gt;Guardiões da Blogosfera&lt;/strong&gt;, uma campanha de fantasia medieval inspirada em RPG, com storytelling, classes, missões, progressão, conquistas e vilões.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não quero fazer uma análise acadêmica de gamificação. Quero olhar para o projeto como alguém que trabalha com design, gosta de blogs e também tentou participar da brincadeira. E tem bastante coisa para observar: foram &lt;strong&gt;54 participantes listados e 956 pergaminhos registrados&lt;/strong&gt;, quase mil publicações durante a campanha.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;quando-agosto-vira-uma-aventura&quot;&gt;Quando agosto vira uma aventura&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;O EntreBlogs não colocou apenas alguns elementos medievais sobre o BEDA e chamou aquilo de gamificação. Existe um pequeno universo em volta da atividade. A campanha acontece no &lt;strong&gt;Reino de Sgolbertne&lt;/strong&gt;, onde a magia da escrita está desaparecendo e uma antiga tradição de 31 dias pode formar novos Guardiões da Blogosfera.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A referência aos RPGs aparece em praticamente tudo. Existem classes como Cronista, Explorador, Artífice, Oráculo, Bardo e Arquivista. Posts viram &lt;strong&gt;pergaminhos&lt;/strong&gt;, registrar uma publicação pode virar um &lt;strong&gt;ataque&lt;/strong&gt;, sugestões aparecem em um &lt;strong&gt;Grimório de Feitiços&lt;/strong&gt; e as semanas trazem missões e vilões.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Gosto de como o storytelling conecta coisas que poderiam ser funcionalidades soltas, mas existe um risco: quanto mais vocabulário próprio o sistema cria, mais coisas alguém precisa aprender. Jornada, classe, pergaminho, ataque, conquista, missão, grimório… a ambientação também pode virar carga cognitiva. Por isso, achei acertado existir um &lt;strong&gt;Manual do Aventureiro&lt;/strong&gt; que reduz tudo a um fluxo mais simples: escolha como participar, publique, registre e acompanhe sua evolução.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;gamificação-que-aceita-o-fracasso&quot;&gt;Gamificação que aceita o fracasso&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Uma das decisões que mais gostei foi não transformar 31 publicações numa fronteira entre quem participou e quem fracassou. Existem três jornadas: o &lt;strong&gt;Herói&lt;/strong&gt; tenta publicar todos os dias, o &lt;strong&gt;Patrulheiro&lt;/strong&gt; segue uma frequência semanal e o &lt;strong&gt;Andarilho&lt;/strong&gt; participa quando quiser. Publicar diariamente exige tempo, assunto e disposição, então faz sentido manter o desafio sem exigir o mesmo compromisso de todo mundo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também achei interessante a gamificação ir além de níveis, medalhas e pontuação. As &lt;strong&gt;missões semanais&lt;/strong&gt; propõem recuperar um rascunho, escrever em 15 minutos, produzir algo com outra pessoa ou revisitar publicações antigas. O &lt;strong&gt;Grimório de Feitiços&lt;/strong&gt; funciona como banco de ideias para aquele momento inevitável em que você não sabe mais sobre o que escrever.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Algumas missões ainda levam o participante para outros blogs. Isso me parece especialmente coerente com uma proposta de &lt;strong&gt;blogagem coletiva&lt;/strong&gt;: a progressão individual existe, mas também há incentivos para conhecer e interagir com outras pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;nem-tudo-funcionou-tão-bem-para-mim&quot;&gt;Nem tudo funcionou tão bem para mim&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;A estrutura da campanha me interessou. A experiência no site, nem sempre. E aqui estou falando da &lt;strong&gt;minha experiência de uso&lt;/strong&gt;, não de uma auditoria formal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O cursor convencional é substituído em alguns momentos por um efeito de brilho. Entendo a escolha estética, mas não gosto de modificar um elemento tão básico de interação. Alguns textos também aparecem progressivamente e achei isso cansativo para conteúdos longos. Cheguei a esperar tudo carregar, salvar o conteúdo e ler depois.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também me perdi entre as páginas e senti falta de maior padronização e de uma &lt;strong&gt;navegação global&lt;/strong&gt;. Nas conquistas, o significado dos símbolos depende de &lt;em&gt;hover&lt;/em&gt;, sem uma legenda geral, o que dificulta a descoberta e cria problemas em telas sensíveis ao toque, teclado e tecnologias assistivas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A listagem dos quase mil pergaminhos também demorava bastante para aparecer na minha experiência. Não medi a aplicação para chamar isso de problema técnico de performance, mas &lt;strong&gt;a percepção de lentidão existiu&lt;/strong&gt;, e isso já interfere no acompanhamento das publicações.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;e-eu-nessa-história-toda&quot;&gt;E eu nessa história toda?&lt;/h2&gt;

&lt;style&gt;
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  &lt;/style&gt;

&lt;section class=&quot;mozart-bio&quot;&gt;
  &lt;img class=&quot;mozart-bio__image&quot; src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-09-09-quando-um-desafio-de-blogagem-vira-uma-campanha-de-rpg-avatar-mozart-werther.png&quot; alt=&quot;Ilustração de Mozart Werther, um sátiro clérigo de óculos, barba escura, chifres claros e vestes azuis.&quot; /&gt;
  &lt;p&gt;Também participei, embora chamar minha tentativa de “cumprir o BEDA” seja uma enorme generosidade comigo mesmo. Resgatei &lt;strong&gt;Mozart Werther&lt;/strong&gt;, personagem dos meus RPGs antigos, transformei-o em um clérigo e fui para a aventura.&lt;/p&gt;
  &lt;p&gt;Minha gloriosa campanha terminou como &lt;strong&gt;Aprendiz de Pergaminhos, com 6/31 publicações&lt;/strong&gt;. Ainda consegui as medalhas &lt;strong&gt;Primeira Faísca ✨&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Primeira Centelha 🕯️&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Escriba Incansável 🔥&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
  &lt;p&gt;Trabalho com design e consigo analisar progressão, feedback, *storytelling* e motivação, mas saber como essas coisas funcionam não abriu magicamente espaço na minha rotina para escrever durante 31 dias. Ainda assim, &lt;strong&gt;6/31 são seis textos que talvez eu não tivesse escrito se não tivesse entrado na brincadeira&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
  &lt;p&gt;&quot;Mozart Werther&quot; pode não ter salvado a Blogosfera, mas também não voltou da aventura de mãos vazias.&lt;/p&gt;
&lt;/section&gt;

&lt;h2 id=&quot;o-que-ficou-para-mim&quot;&gt;O que ficou para mim&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;O EntreBlogs pegou uma atividade simples, pessoas publicando em seus próprios blogs durante agosto, e construiu em volta dela &lt;strong&gt;storytelling, RPG, progressão, desafios e comunidade&lt;/strong&gt;. Quase mil publicações foram registradas nesse processo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Isso não prova que “a gamificação funcionou”. Para afirmar isso seria preciso investigar abandono, comparar edições e conversar com os participantes. Mas, como experiência de design, achei interessante ver um sistema tentando oferecer &lt;strong&gt;contexto para publicar, ideias para quando falta assunto e reconhecimento para diferentes formas de participação&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Bem mais interessante do que colocar uma barra de progresso de 0 a 31 e chamar aquilo de gamificação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mesmo eu tendo parado no 6. 😬&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;h2 id=&quot;ficha-do-meu-personagem&quot;&gt;Ficha do meu personagem&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-09-09-quando-um-desafio-de-blogagem-vira-uma-campanha-de-rpg-mozart-werther.png&quot; alt=&quot;Ilustração em estilo de ficha de RPG medieval de Mozart Werther, um sátiro clérigo de barba e cabelos castanhos, óculos e chifres claros. Ele veste um manto azul com detalhes dourados, carrega bolsas, livros e pergaminhos e segura um cajado de madeira com uma lanterna mágica. Ao redor aparecem retratos do personagem, seus equipamentos, símbolos e informações da ficha. Ao fundo, ruínas de pedra e uma paisagem medieval.&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Wed, 09 Sep 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
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      <category>Gamificação</category>
      
      <category>Jogos</category>
      
      <category>EntreBlogs</category>
      
      <category>Design</category>
      
      <category>Acessibilidade</category>
      
      <category>Comunidade</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Minha independência digital durou até eu precisar do WhatsApp</title>
      <description>&lt;p&gt;Tempos atrás escrevi um texto sobre &lt;a href=&quot;https://wagnerbeethoven.com.br/blog/substituicao-de-servicos-essenciais/&quot;&gt;substituição de serviços essenciais&lt;/a&gt;. Na época, estava pensando em como sair um pouco do controle das big techs. De lá pra cá, acho que fiquei ainda mais refém delas, não que eu quisesse. Depois de assistir a um vídeo do &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=S6FAW5S3Y_c&quot;&gt;RikerLinux&lt;/a&gt;, me deparei novamente com aquela vontade de ficar um pouco mais “fora” desse ecossistema. Fui reler o que tinha escrito e percebi que, na época, eu realmente achava que seria relativamente fácil.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Troca isso por aquilo. Instala uma alternativa aqui, migra os dados dali, pronto!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu maior medo era a falta de suporte para coisas realmente importantes, principalmente bancos e serviços do governo. Porque uma coisa é decidir onde vou escrever minhas notas, outra é descobrir que alguma coisa da minha vida depende de um aplicativo que só funciona direito dentro de determinado ecossistema. &lt;strong&gt;A independência digital fica bem menos romântica quando envolve pagar boleto.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;pelo-menos-parei-de-ter-um-buscador&quot;&gt;Pelo menos parei de ter “um buscador”&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Sair exclusivamente da pesquisa do Google foi uma das coisas que funcionaram. O Bing, por exemplo, às vezes traz resultados completamente diferentes. Hoje minhas buscas acabam acontecendo em três frentes: Google, Bing e Deep Research do GPT. No fim, acho que cheguei a um lugar melhor do que simplesmente substituir o Google por outro buscador.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu não tenho mais &lt;em&gt;um&lt;/em&gt; buscador. Dependendo do que estou procurando, uso os três e comparo o que aparece. Continuo abrindo os resultados, lendo as fontes e verificando a informação… nada de &lt;a href=&quot;https://gizbr.uol.com.br/ceo-admite-que-a-internet-esta-caminhando-para-o-google-zero/&quot;&gt;Google Zero&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como sempre fiz, como faziam os maias, incas e astecas: checavam fontes. (Eu sei, piada batida quando se fala de coisa “recente”, mas que já está “velha”.)&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;aí-chegamos-ao-google&quot;&gt;Aí chegamos ao Google&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;E aqui meu plano começa a desandar 🫠. De lá pra cá continua sendo muito difícil abandonar o Google Calendar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pela comodidade, deixei o Samsung Email de lado e continuo no Gmail. Google Contacts também continua ali. Isso foi uma das coisas que subestimei quando escrevi aquele primeiro texto: não basta existir uma alternativa, &lt;strong&gt;ela precisa funcionar&lt;/strong&gt;. Precisa sincronizar direito, estar disponível nos dispositivos que uso, conversar com outras ferramentas e, principalmente, não transformar uma tarefa de cinco segundos numa pequena atividade administrativa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Existe um preço para a independência digital e uma parte dele é paga em tempo.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;algumas-coisas-deram-certo&quot;&gt;Algumas coisas deram certo&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Parei de usar o Notion tem um tempão. Até tenho conta de estudante, mas não vejo mais muita utilidade em centralizar tudo lá. Obsidian segue reizinho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Feedly continua absoluto, como sempre foi.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meus favoritos estão espalhados &lt;del&gt;pelos meus sites&lt;/del&gt;. Na verdade, dei uma boa limpada no &lt;a href=&quot;http://wagnerbeethoven.com.br&quot;&gt;meu site&lt;/a&gt; e deixei por lá só páginas essenciais. Ficaram &lt;a href=&quot;/links/&quot;&gt;os links&lt;/a&gt; e o &lt;a href=&quot;/blogroll/&quot;&gt;blogroll&lt;/a&gt; aqui, mas sejamos sinceros: está tudo na barra de favoritos do navegador.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Organização também tem limites.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;whatsapp-é-praticamente-infraestrutura&quot;&gt;WhatsApp é praticamente infraestrutura&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;WhatsApp e Telegram continuam comigo e aqui aparece outro problema que vai além da qualidade da ferramenta: eu posso decidir abandonar um serviço, mas não posso decidir onde as outras pessoas estarão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Posso encontrar o aplicativo de mensagens mais ético, privado, descentralizado, open source e maravilhoso do planeta, mas se ninguém com quem preciso falar estiver lá, instalei um belo aplicativo para conversar comigo mesmo. WhatsApp, principalmente no Brasil, já ultrapassou há muito tempo a ideia de “rede social”. Família está lá. Trabalho está lá. Prestador de serviço está lá. Empresa está lá. Às vezes atendimento médico está lá.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nesse ponto, sair deixa de ser uma decisão exclusivamente individual.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;redes-sociais-são-um-mar-de-sangue&quot;&gt;Redes sociais são um mar de sangue&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Aqui tudo fica mais complicado para mim. Teve uma época em que tudo era Twitter. O Threads veio, usei pouco. Continuo tentando lembrar que o Bluesky existe, embora essa minha atual fase low profile 😶‍🌫️ também não ajude muito. Além disso, estou 100% num detox de Instagram.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Só que o TikTok me pega. O algoritmo daquela desgraça é muito bom em descobrir exatamente quais besteiras conseguem arrancar gaitadas altissimas de mim. Esse é outro ponto que eu não considerava tanto antes: essas plataformas não competem apenas pela utilidade, &lt;strong&gt;elas competem pelo hábito&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Agenda precisa ser útil. E-mail precisa funcionar. Um aplicativo de notas precisa guardar minhas coisas. Rede social precisa fazer eu querer voltar. É outra batalha.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;eu-estava-fazendo-a-pergunta-errada&quot;&gt;Eu estava fazendo a pergunta errada?&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Quando escrevi aquele primeiro texto, acho que estava pensando muito em substituição.&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Google por alguma coisa.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Notion por alguma coisa.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;WhatsApp por alguma coisa.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Instagram por alguma coisa.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Como se independência digital fosse montar uma tabela com duas colunas e ir substituindo serviços até chegar ao final dela. Hoje estou menos interessado em “sair das big techs” e mais interessado em &lt;strong&gt;depender menos delas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No caso das buscas, isso significou diversificar. Nas minhas notas, significou usar uma ferramenta em que meus arquivos continuam sendo meus arquivos. Em outros lugares, pode significar simplesmente saber onde estão meus dados, conseguir exportá-los e evitar colocar absolutamente tudo nas mãos da mesma empresa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E em alguns casos significa aceitar que a conveniência venceu, porque existe também o risco de transformar independência digital em um segundo emprego. Não quero passar meu sábado configurando quinze serviços diferentes, mantendo servidor, corrigindo sincronização e lendo documentação só para conseguir adicionar “comprar café” numa lista. &lt;em&gt;Eu só queria comprar café.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então eu não sei se estou disposto a comprar novamente essa batalha inteira. Posso continuar no Gmail, continuar usando Google Calendar e provavelmente vou continuar no WhatsApp. O TikTok certamente continuará tentando destruir minha capacidade de concentração com algum vídeo idiota de 23 segundos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Só que a pergunta mudou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em vez de &lt;strong&gt;“Como eu saio das big techs?”&lt;/strong&gt;, estou começando a pensar: &lt;strong&gt;“Quanto trabalho estou disposto a ter para possuir um pouco mais da minha vida digital?”&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda não sei a resposta. Quem sabe daqui a algum tempo eu volte aqui para descobrir se consegui piorar ainda mais.&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/minha-independencia-digital-durou-ate-eu-precisar-do-whatsapp/</link>
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      <category>Autonomia digital</category>
      
      <category>Internet</category>
      
      <category>Redes sociais</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>O que sobra de mim se a internet acabar?</title>
      <description>&lt;p&gt;Estava lendo as postagens do BEDA quando me deparei com uma publicação da &lt;a href=&quot;https://jeniffergeraldine.com/uma-agenda-de-memorias-do-ano/&quot;&gt;Jeniffer&lt;/a&gt; sobre agenda e registro. Imediatamente lembrei de um &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=Yzx7xIphXiY&quot;&gt;vídeo da Lorelay Fox com dicas para escrever um diário&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E, por algum motivo, isso me bateu como um pequeno pânico. Olhei para as coisas que tenho e percebi que, tirando meus gibis e alguns punhados de livros, eu praticamente não tenho &lt;strong&gt;nada físico&lt;/strong&gt; da minha vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não tenho discos. Não tenho brinquedos guardados. Não tenho caixas cheias de ingressos. Não tenho recordações de viagens organizadas em álbuns. Não tenho aquela gaveta que você abre vinte anos depois e encontra um pedaço aleatório de 2007.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meus ingressos estão no Ingresso.com, as fotos no Google Photos, os textos estão na internet e meus documentos são PDFs, além de boa parte dos meus livros serem digitais também.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Shows também não ajudam muito nessa arqueologia pessoal. Assisto a quase tudo pela televisão porque, sim, eu não tenho mais animação para passar horas em pé vendo show.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Antes eu tinha até aquela coisa de “preciso ver meu ídolo ao vivo”. Hoje, além de a lista ter diminuído bastante, boa parte dos meus ídolos está morta. Te amo, Bowie 🧑🏻‍🎤. Gostaria MUITO de visto o Kraftwerk ou de Radiohead, Marilyn Manson, Yeah Yeah Yeahs. Só existe um pequeno problema geográfico: &lt;em&gt;se algumas dessas turnês já passam longe do Brasil, imagine do Nordeste&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Bethânia também estava na lista, só que, quando um ingresso começa a custar uma fração considerável de um salário mínimo, minha consciência entra na fila antes de mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Cinema é uma exceção, vou bastante! Tem a meia-entrada, tem promoção do Santander/Esfera, tem combo médio por R$ 20. É uma das poucas experiências culturais que ainda consigo transformar numa rotina presencial sem precisar fazer um planejamento financeiro digno de uma pequena obra pública, mas aí volto para o que realmente me incomodou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não é exatamente a falta de coisas - é a falta de &lt;strong&gt;vestígios&lt;/strong&gt;. Eu nunca me considerei uma pessoa apegada a objetos e, de certa forma, gosto dessa vida com menos acúmulo. Só que nunca tinha pensado no outro lado disso: &lt;em&gt;quase toda a minha memória material depende de uma tela para existir&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se eu quiser lembrar de um filme que vi, procuro no histórico &lt;a href=&quot;/movies/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; ou no &lt;a href=&quot;https://letterboxd.com/wagnerbeethoven/&quot;&gt;Letterboxd&lt;/a&gt;. Se quiser encontrar uma foto, Google Photos, rever alguma coisa que escrevi, entro no &lt;a href=&quot;http://medium.com/@wagnerbeethoven&quot;&gt;Medium&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;/blog/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; ou no meu &lt;a href=&quot;http:/wagnerbeethoven.com.br&quot;&gt;blog&lt;/a&gt;. Se quiser saber quando fui a determinado lugar, “talvez exista” um e-mail, um ingresso digital, uma foto com metadados ou algum registro perdido em uma conta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Minha vida tem documentação. Bastante, provavelmente, só que ela quase não tem objetos e foi aí que o minimalismo digital, que sempre me pareceu tão confortável, começou a parecer um pouco estranho.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;se-a-internet-acabasse-amanhã-o-que-sobraria&quot;&gt;Se a internet acabasse amanhã, o que sobraria?&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Eu sei, eu sei. A internet inteira desaparecer é um cenário meio “começo de filme ruim de ficção científica”, mas nem precisa acontecer algo tão dramático. Um serviço fecha, uma conta é perdida, um HD morre, uma empresa decide encerrar um produto, um formato deixa de ser suportado, um domínio expira, já até falei disso aqui, é um assunto recorrente que trago, os princípios da &lt;a href=&quot;#tag-indieweb&quot;&gt;indieweb&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A gente fala muito sobre como o digital resolveu o problema do acúmulo físico, mas talvez tenha criado outro: &lt;strong&gt;terceirizamos parte da nossa memória&lt;/strong&gt; e olha que eu nem tenho tanta coisa assim. Se juntar documentos, livros, fotos e arquivos diversos, acho que minha vida digital inteira não chega a 1 TB.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um terabyte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Décadas de vida cabendo num dispositivo menor que alguns dos livros que tenho na estante.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tem alguma coisa fascinante nisso e alguma coisa assustadora também.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez o que tenha me pegado na agenda da Jeniffer e no diário da Lorelay seja justamente isso. Elas não estavam falando simplesmente de guardar coisas. Estavam falando, cada uma à sua maneira, de &lt;strong&gt;produzir evidências da própria passagem pelo tempo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma agenda preenchida deixa marcas, um diário deixa marcas, um ingresso amassado dentro de um livro deixa marcas. Até aquela tranqueira que você não sabe por que guardou durante quinze anos pode, de repente, recuperar uma tarde inteira que você já tinha esquecido.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu tenho memória.
Tenho arquivos.
Tenho backups.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que comecei a me perguntar é se também quero ter alguns vestígios. Não pretendo virar acumulador e começar amanhã uma caixa chamada “MEMÓRIAS 2026”. Provavelmente eu esqueceria da caixa em março, mas talvez eu queira encontrar uma forma de registrar algumas coisas fora da lógica de simplesmente armazenar arquivos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Alguma coisa que envelheça comigo.
Porque um PDF de 2008 continua exatamente igual.
Eu é que não.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/o-que-sobra-de-mim-se-a-internet-acabar/</link>
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      <category>Memória</category>
      
      <category>Minimalismo</category>
      
      <category>Internet</category>
      
      <category>EntreBlogs</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Talvez não esteja tão perdido assim</title>
      <description>&lt;p&gt;Tenho duvidado das minhas escolhas profissionais há algum tempo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na adolescência, meu sonho era ser professor de ciências. Não deu certo. Minha carreira seguiu por outros caminhos, nada lineares, com altos, muitos baixos e bastante aprendizado no meio disso tudo. De algum jeito, cheguei onde estou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tenho vivido um estado de alerta que às vezes me faz questionar decisões que pareciam muito mais sólidas alguns anos atrás. Será que escolhi a profissão certa? Será que ainda quero fazer isso? Será que deveria estar procurando outra coisa?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Parte dessa angústia também vem de um mercado que não está fácil. Existe uma questão geográfica sobre a qual acho que falamos pouco: o eixo Sul-Sudeste ainda concentra boa parte das oportunidades em tecnologia e, para quem vive no Nordeste ou no Norte, isso pesa. Mesmo com o trabalho remoto, a distância ainda pode significar estar longe de determinadas empresas, redes e oportunidades.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No meu caso, tudo isso ajuda a explicar esse período meio sabático, meio involuntário, meio de reorganização. E tempo livre com uma cabeça inquieta dá nisso: comecei a imaginar outras vidas possíveis.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mail club &lt;em&gt;(nada de &lt;a href=&quot;https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/07/24/influencer-vende-ilustracoes-como-autorais-por-r-149-e-criticada-e-admite-uso-de-ia-fiz-merda.ghtml&quot;&gt;Karen Bachini feelings&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;; artesanato, cerâmica fria e colagem; costura, bolsas, &lt;a href=&quot;/blog/por-tras-do-blog/&quot;&gt;crochê&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://www.ecycle.com.br/upcycle/&quot;&gt;upcycle&lt;/a&gt;; joalheria; projetos editoriais &lt;em&gt;(ainda acho que vou lançar)&lt;/em&gt;; educação; tecnologia &lt;em&gt;(continuar nessa jornada solitária)&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quem sabe fazer algumas dessas coisas ao mesmo tempo. Foi aí que pensei: &lt;em&gt;por que não fazer um teste vocacional?&lt;/em&gt; Só que fiz com o ChatGPT. 🤐&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;começando-do-zero&quot;&gt;Começando do zero&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Pedi que ele ignorasse tudo o que já sabia sobre mim. Queria evitar a conclusão mais previsível do mundo: descobrir, depois de anos trabalhando com design e tecnologia, que minha vocação era trabalhar com design e tecnologia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As perguntas passaram por infância, interesses, trabalho, dinheiro, autonomia, conhecimento, pessoas, sistemas e futuro. Algumas respostas foram familiares: quando criança lia gibi e desenhava; hoje posso passar horas pesquisando reforma de casa, artesanato, natureza, sistemas e tecnologia. Quando precisei dizer o que acho que faço bem, respondi &lt;strong&gt;ensinar, planejar e projetar coisas maiores&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas três respostas ficaram comigo:&lt;/p&gt;

&lt;ol&gt;
  &lt;li&gt;Se dinheiro deixasse de ser um problema, escolheria trabalhar com &lt;strong&gt;acessibilidade, tecnologia e educação&lt;/strong&gt;.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Se pudesse me tornar excepcional em apenas uma capacidade, escolheria &lt;strong&gt;compreender sistemas extremamente complexos&lt;/strong&gt;.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Aos 60 anos, qual história profissional me deixaria mais satisfeito? &lt;strong&gt;“Produzi conhecimento que continuou sendo utilizado depois de mim.”&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;

&lt;p&gt;Acho que foi aí que o teste deixou de ser uma brincadeira.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;e-se-a-pergunta-estivesse-errada&quot;&gt;E se a pergunta estivesse errada?&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;O resultado apontava para alguém interessado em investigar, compreender, organizar, projetar e transmitir. Mais do que indicar uma profissão, aquelas respostas descreviam uma maneira de pensar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então fiz o caminho contrário. Devolvi ao ChatGPT minha trajetória profissional e perguntei o que acontecia quando as duas coisas eram colocadas juntas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi quando apareceu uma frase que me pegou: &lt;strong&gt;Product Designer descreve o meu trabalho, mas não completamente a maneira como penso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Comecei a olhar para os projetos que fiz e percebi um padrão. Entro por um problema e, quando vejo, estou tentando entender pessoas, regras, processos, informação, tecnologia, operação e como todas essas coisas se relacionam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Até uma característica que sempre tratei quase como ferramenta ganhou outro peso: documentação.&lt;/p&gt;

&lt;h3 id=&quot;documento-para-conseguir-pensar&quot;&gt;Documento para conseguir pensar.&lt;/h3&gt;

&lt;p&gt;Escrever, organizar informação, criar estruturas, registrar decisões e transformar coisas complicadas em modelos compreensíveis fazem parte da maneira como entendo um problema.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A acessibilidade também apareceu sob outra perspectiva. Comecei a pensar que ela não precisa ser exatamente uma profissão. Pode ser o campo no qual quero aplicar pesquisa, design, tecnologia, educação e esse interesse quase obsessivo por entender como sistemas funcionam e como poderiam funcionar melhor. Coisas que pareciam espalhadas começaram a parecer um pouco menos aleatórias.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;e-o-professor-de-ciências&quot;&gt;E o professor de ciências?&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;No fim, voltei para aquele adolescente que queria ser professor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje fico pensando se estava mesmo interessado no título de “professor de ciências”. O que havia ali era curiosidade, vontade de entender, prazer em explicar e fascínio por descobrir como as coisas funcionam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Isso continua aqui.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não virei professor de ciências, mas ensino, pesquiso, projeto, documento e comunico. Continuo querendo entender coisas e, quando consigo, tenho vontade de organizá-las e compartilhar o que aprendi.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Isso também não significa que vou desistir da ideia de aprender artesanato, costurar uma bolsa, mexer com joalheria ou criar um mail club. Algumas dessas coisas podem virar trabalho, outras podem continuar sendo hobbies e algumas provavelmente serão obsessões de seis meses que depois darão lugar a outra coisa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Elas nem precisam justificar sua existência virando profissão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O teste também não resolveu minha vida profissional. Um modelo de linguagem dificilmente deveria ter esse poder, mas ele mudou um pouco a pergunta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tenho passado muito tempo pensando &lt;strong&gt;“o que deveria fazer agora?”&lt;/strong&gt;, quando começo a achar que existe uma pergunta anterior: &lt;strong&gt;“O que existe em comum nas coisas que continuo escolhendo fazer?”&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pode ser que eu não precise encontrar uma profissão completamente nova. Posso estar apenas tentando encontrar um nome para algo que já venho construindo há bastante tempo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda não encontrei.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas, curiosamente, descobrir é justamente uma das coisas que mais gosto de fazer.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/talvez-eu-nao-esteja-tao-perdido-assim/</link>
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      <category>Trabalho e Carreira</category>
      
      <category>Acessibilidade</category>
      
      <category>Tecnologia</category>
      
      <category>Educação</category>
      
      <category>Nordeste</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>R$ 1 de pão, 4 litros de refrigerante e uma tarde de RPG</title>
      <description>&lt;p&gt;Eu joguei RPG durante quase toda a minha adolescência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tinha um grupo de amigos e começamos com &lt;del&gt;AD&amp;amp;D&lt;/del&gt;, foi o &lt;a href=&quot;https://www.ebay.com.au/itm/800468144531?mkevt=1&amp;amp;mkcid=1&amp;amp;mkrid=705-53470-19255-0&amp;amp;campid=5338722076&amp;amp;customid=&amp;amp;toolid=10050&quot;&gt;&lt;strong&gt;Conjunto First Quest - Advanced Dungeons &amp;amp; Dragons RPG&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, a aventura que vinha com mapa, personagens prontos e até um CD com narrações. Era um clima muito bacana e foi a porta de entrada para todo o resto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Depois disso começamos a comprar outros RPGs. “Comprar”, aliás, precisa de uma explicação: muita coisa que a gente jogava era na base da cotinha e da xerox dos livros. PDFzinho nenhum, viu? Era livro, dinheiro contado, xerox e papel para todo lado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um deles foi GURPS, que eu lembro como um sistema supercomplexo. Jogamos uma campanha pós-apocalíptica e era divertido demais. Naquela época, gibi era praticamente a leitura diária do grupo, então nossas referências inevitavelmente iam parar nas aventuras. Era rajada laser, fogo, explosão e tudo o que a imaginação adolescente permitisse, não faço ideia de como está GURPS hoje, mas lembro com carinho dessa época.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Também teve Vampiro: A Máscara.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Jogamos uma campanha ambientada em Recife. Lembro que o primeiro vampiro da cidade era um “padre” chamado Ronan, era uma doideira. Na época a gente estava naquela fase meio “provoque society”: quanto mais junkie, melhor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tentamos jogar Mago também, mas a complexidade do cenário não empolgou muito o grupo e acabou ficando pelo caminho, escanteado.
Em uma das sessões de Vampiro, inclusive, a gente se fantasiou! 🧛🏻🧛🏻‍♂️🧛🏻‍♀️🦇HAHAHAHAHAHA. Mainha entrou em casa, deu de cara com aquele bando de adolescentes vestidos sabe-se lá como, se espantou e depois riu horrores da gente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aliás, Mainha patrocinava muitas das nossas campanhas de RPG. Talvez fosse uma estratégia para manter o filho dela sob controle. A gente ocupava a mesa de seis lugares lá de casa. Ela comprava R$ 1 de pão francês, que eu acho que dava uns 20 pães na época, e quatro litros de refrigerante. Era a tarde inteira e o começo da noite ocupando aquela mesa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O relacionamento mais longo provavelmente foi com D&amp;amp;D. Acho que jogávamos a terceira edição, e jogávamos muito, muito mesmo. A ponto de mandarmos uma carta para a revista Dragão Brasil procurando outras pessoas para jogar com a gente - só teve um pequeno problema, e só entendemos muito depois o que estava acontecendo. A síndica quem confirmou depois. Muita gente estava procurando um rapaz que tinha mandando uma carta para uma revista, mas ninguem com aquele nome morava lá. O responsável de colocar a carta nos Correiros, colocou o meu endereço na carta, mas colocou o nome dele 😑&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também jogamos bastante Tormenta e 3D&amp;amp;T. E tinha &lt;a href=&quot;https://wiki.daemon.com.br/index.php?title=Arkanun_(RPG)&quot;&gt;Arkanun&lt;/a&gt;, que na minha lembrança era algo meio próximo de Vampiro, só que muito mais abrangente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tormenta eu sei que existe até hoje. Tenho vontade de comprar de novo, o novo de &lt;a href=&quot;https://tormenta20.fandom.com/pt-br/wiki/Tormenta20&quot;&gt;comemoração de 20 anos&lt;/a&gt;. Nem necessariamente para jogarm só para ter. Talvez porque, olhando agora, percebo que os livros também faziam parte da experiência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;RPG naquela época tinha uma materialidade que hoje me chama atenção. Livro passando de mão em mão, xerox, ficha apagada e preenchida novamente, dados espalhados pela mesa, revista, mapa, lápis, pão francês e refrigerante (os dois últimos não em todas as casas e nem em todas as seções 😎).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era um passatempo, claro., mas ocupou uma parte enorme da minha adolescência. Hoje eu tenho vontade de mestrar novamente uma campanha de D&amp;amp;D e tem uma coisa engraçada nisso: o universo já existe, eu escrevi e pensei sendo adulto já. Escrevi o cenário inteiro, criei e desenvolvi o mundo, lugares, histórias e tudo mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Falta o grupo e provavelmente falte um pouco da coragem de procurar gente para jogar e em algum momento eu ainda faço alguma coisa com esse universo, quem sabe eu não tenha coragem para compartilhar um pouco dele por aqui.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por enquanto, fica registrado que durante alguns anos da minha vida uma mesa de seis lugares, algumas xerox, R$ 1 de pão e quatro litros de refrigerante eram praticamente tudo o que a gente precisava para passar uma tarde inteira em outro mundo.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/r-1-de-pao-4-litros-de-refrigerante-e-uma-tarde-de-rpg/</link>
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      <category>Jogos</category>
      
      <category>Memória</category>
      
      <category>Nordeste</category>
      
      <category>Comunidade</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Visibilidade não é vaidade</title>
      <description>&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Antes de começar, um contexto:&lt;/strong&gt; Espero que este seja um dos últimos textos tão atravessados pelo último ano. Ainda quero voltar a escrever sobre tecnologia, design, acessibilidade, quadrinhos, cinema e todas as outras coisas que fazem parte deste blog, mas este texto ainda precisava existir.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Este ano tem sido um dos mais difíceis da minha vida.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Faz tempo que eu aprendi a ser minha própria rede de apoio. Tenho pessoas incríveis por perto, continuo levando muitas dessas questões para a terapia, mas existe uma parte da caminhada que ninguém pode fazer por mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez por isso eu tenha adiado por tanto tempo uma decisão que agora parece inevitável: &lt;strong&gt;começar a me expor mais profissionalmente&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É curioso porque nunca tive vontade de ser influencer. Sempre achei estranho como algumas profissões passaram a medir competência pelo tamanho da audiência. Nunca consegui aceitar a ideia de que um bom profissional seja necessariamente aquele que publica mais, acumula mais seguidores ou grava mais vídeos. Na saúde isso sempre me pareceu ainda mais absurdo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Durante muito tempo eu também confundi exposição com exibicionismo. Achava que, para ser visto, seria preciso transformar a vida em conteúdo. Hoje começo a enxergar de outra forma, mostrar o meu trabalho não é a mesma coisa que transformar a minha rotina em espetáculo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas o mercado nem sempre funciona da forma como eu gostaria.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Depois de quase um ano desempregado, percebi que esperar apenas pelo reconhecimento do currículo ou do portfólio deixou de ser suficiente. As pessoas precisam saber que você existe antes mesmo de conhecerem o seu trabalho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então vou tentar, mais uma vez. Criei um perfil &lt;a href=&quot;http://instagram.com/wbuxtech&quot;&gt;profissional no Instagram&lt;/a&gt;. Vou reorganizar os perfis dos outros projetos para conseguir administrá-los sozinho e também quero abrir um canal no YouTube e montar uma rotina de produção de conteúdo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sem grandes produçõesm sem equipe, algo com que infelizmente já me acostumei. Sem investimento, equipamentos sofisticados e muito provavelmente usando o CapCut na versão gratuita e aprendendo um vídeo de cada vez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A ideia não é virar criador de conteúdo em tempo integral, é compartilhar o que aprendi em mais de quinze anos trabalhando com design, acessibilidade, produtos digitais e tecnologia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Talvez ainda exista um professor escondido em mim desde a época em que eu dava aula.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também quero separar melhor o Wagner profissional do Wagner pessoal. Não porque uma parte seja mais importante que a outra, mas porque cada uma merece o seu espaço e eu quero ter meu tempo de qualidade e longe dessa versão profissional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;acredito que, muitas vezes, quem está de fora valoriza mais o nosso trabalho do que quem está perto, talvez isso mude pela persistencia, mas talvez não.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No fim, o maior desafio talvez nem seja aprender a editar vídeos. Seja perder a vergonha de falar para uma câmera e aceitar que mostrar o meu trabalho também faz parte do trabalho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Se der certo, ótimo.&lt;/strong&gt; Se não der, pelo menos vou ter parado de esperar que as oportunidades descubram sozinhas o caminho até mim.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Sun, 02 Aug 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/visibilidade-nao-e-vaidade/</link>
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      <category>Trabalho e Carreira</category>
      
      <category>Escrita</category>
      
      <category>Redes sociais</category>
      
      <category>Design</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Um ano tentando não parar</title>
      <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Faz quase um ano que estou desempregado&lt;/strong&gt;. Não vou romantizar esse período. O impacto financeiro é evidente, mas o peso na saúde mental consegue ser ainda maior. Existe uma sensação constante de que a vida ficou em suspenso enquanto todo mundo continua andando. Ainda assim, tentei não transformar esse tempo em espera.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi nesse intervalo que nasceram alguns projetos que eu provavelmente nunca teria colocado de pé se estivesse preso à rotina de um emprego. Criei o &lt;a href=&quot;http://minhalombada.com.br&quot;&gt;Lombada&lt;/a&gt;, continuei desenvolvendo o  &lt;a href=&quot;http://ecoleta.app.br&quot;&gt;Ecoleta&lt;/a&gt;, publiquei plugins para o &lt;a href=&quot;http://figma.com/@wagnerbeethoven&quot;&gt;Figma&lt;/a&gt;, reorganizei meu &lt;a href=&quot;http://wagnerbeethoven.com.br&quot;&gt;portfólio&lt;/a&gt; e fui tirando do papel várias ideias que estavam paradas havia anos. Nem todas deram resultado, algumas talvez nunca deem, mas permanecer construindo era uma forma de continuar acreditando que ainda existia caminho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Recentemente participei de uma iniciativa da &lt;a href=&quot;http://instagram.com/visit.olinda&quot;&gt;Secretaria de Turismo de Olinda&lt;/a&gt;, realizada na &lt;a href=&quot;https://maps.app.goo.gl/UhWigy7c91AoYaeN8&quot;&gt;Casa do Turista&lt;/a&gt;. Eram três dias de workshop sobre editais culturais conduzidos pela &lt;a href=&quot;http://ligacriativa.com.br&quot;&gt;Eliz, da Liga Criativa&lt;/a&gt;. Entrei sem grandes expectativas além da vontade de aprender, se aparecesse alguma oportunidade, eu estava disposto a mergulhar de cabeça.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que encontrei foi um universo que eu conhecia muito pouco.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;figure class=&quot;post-video-figure&quot;&gt;
  &lt;video controls=&quot;&quot; width=&quot;250&quot; preload=&quot;metadata&quot; playsinline=&quot;&quot;&gt;
    &lt;source src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-07-29-um-ano-tentando-nao-parar-tarot-simbora.mp4&quot; type=&quot;video/mp4&quot; /&gt;
  &lt;/video&gt;
  &lt;figcaption class=&quot;post-video-caption&quot;&gt;
   Vídeo do Instagram da &lt;a href=&quot;https://www.instagram.com/ligacriativa/reel/Da8IFTogXtx/&quot;&gt;Liga Criativa&lt;/a&gt;
  &lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;Quando a gente escuta falar em edital, normalmente pensa apenas em financiamento, mas existe muito mais do que isso. Existe uma estrutura inteira pensada para fazer circular projetos que dificilmente encontrariam espaço apenas pela lógica do mercado. São iniciativas voltadas para territórios, comunidades, grupos historicamente invisibilizados, manifestações culturais locais e pessoas que quase nunca aparecem no centro das conversas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi difícil sair daqueles encontros sem pensar no quanto a cultura movimenta vidas de maneiras que passam despercebidas para quem olha de fora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Curiosamente, enquanto eu aprendia sobre editais, percebi que muitas das coisas que venho construindo já caminhavam nessa direção. O Ecoleta nasceu com uma preocupação social. O Lombada também tenta aproximar pessoas de histórias. Até minhas iniciativas em acessibilidade carregam essa vontade de facilitar o acesso, organizar conhecimento e reduzir barreiras.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez eu só não tivesse percebido que tudo isso conversava entre si.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Saí dos três dias com muito mais perguntas do que respostas, mas também com uma convicção que não existia antes. Quero aprender esse ecossistema. Quero entender como esses projetos nascem, como são escritos, financiados e executados. Mais do que isso, quero construir ferramentas que ajudem outras pessoas a fazerem o mesmo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Espero que essa fase mais dura passe logo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Durante muito tempo fui alguém que dependia de benefícios como o Alelo para atravessar o mês. Não existe vergonha nenhuma nisso, mas existe um desejo enorme de mudar de lugar. Quero chegar ao momento em que, em vez de apenas consumir oportunidades, eu consiga criar oportunidades para outras pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Talvez esse seja o começo de uma nova fase. Ainda não sei.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Por curiosidade, dias depois joguei tarot. A leitura terminou com uma frase que ficou ecoando desde então:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Avance, mas não deixe que o medo do que pode dar errado faça você desistir ou ficar paralisado. O maior desafio dessa sequência não é a falta de capacidade, e sim administrar a preocupação diante das pressões que surgirem.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Independentemente da origem desse conselho, ele conversa bastante com o lugar onde estou hoje. Acho que está na hora de me jogar de verdade no empreendedorismo.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;div class=&quot;pixelfed-polaroid&quot;&gt;
  &lt;iframe title=&quot;Pixelfed Post Embed&quot; src=&quot;https://pixelfed.com/p/wagnerbeethoven/988164595949381159/embed?caption=false&amp;amp;likes=false&amp;amp;layout=full&amp;amp;ui-mode=system&quot; class=&quot;pixelfed__embed&quot; style=&quot;border: 0; width: 100%; min-height: 420px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
&lt;/div&gt;
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</description>
      <pubDate>Wed, 29 Jul 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/um-ano-tentando-nao-parar/</link>
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      <category>Trabalho e Carreira</category>
      
      <category>Projetos pessoais</category>
      
      <category>Cultura</category>
      
      <category>Editais</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Por trás do blog</title>
      <description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Este texto nasceu após a leitura do &lt;a href=&quot;https://mormaco.blog/por-tras-do-blog/&quot;&gt;Mormaço&lt;/a&gt;, blog que faz parte do EntreBlogs, coletivo do qual também faço parte. Ele integra o tema &lt;a href=&quot;https://entreblogs.com.br/temas/&quot;&gt;#PorTrasDoBlog&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;small&gt;Esse texto tá cheio de link 😎&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Se você chegou até aqui procurando um “&lt;a href=&quot;/about/&quot;&gt;sobre mim&lt;/a&gt;”, talvez tenha entrado na página errada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste site (nem sempre nele) já existe uma página contando minha &lt;a href=&quot;http://wagnerbeethoven.com.br/about&quot;&gt;trajetória profissional&lt;/a&gt;, outra falando dos &lt;a href=&quot;/projects/&quot;&gt;projetos que desenvolvo&lt;/a&gt;, uma sobre &lt;a href=&quot;/location/&quot;&gt;onde moro&lt;/a&gt;, outra sobre &lt;a href=&quot;/identity&quot;&gt;minha identidade&lt;/a&gt; e até uma lista de &lt;a href=&quot;/#explorar&quot;&gt;coisas das quais gosto&lt;/a&gt;. Todas elas ajudam a responder quem sou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esta página existe por outro motivo. Ela reúne pequenas histórias que ajudam a explicar por que todas aquelas outras páginas existem, não é um currículo nem uma biografia. É uma tentativa de entender como algumas escolhas aparentemente desconexas acabaram me trazendo até aqui.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Sempre achei curioso como a gente demora para entender a própria história. Durante muito tempo enxerguei minha vida como uma sequência de mudanças de direção. Hoje percebo que talvez só tenha mudado as ferramentas, &lt;strong&gt;a curiosidade sempre foi a mesma&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;aprendi-a-ler-com-quadrinhos&quot;&gt;Aprendi a ler com quadrinhos&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;As primeiras revistas eram do &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Conan_(revista_em_quadrinhos)&quot;&gt;Conan - O Bárbaro&lt;/a&gt;. Meu pai percebeu que aquilo talvez não fosse exatamente uma leitura apropriada para uma criança e fez uma substituição estratégica: saíram os bárbaros, entrou a Turma da Mônica. Não demorou muito para descobrir a Marvel. Passei anos colecionando gibis, acompanhando sagas, decorando nomes de personagens, roteiristas e desenhistas. Sem perceber, estava aprendendo a gostar de boas histórias e entendendo que um universo podia ser construído aos poucos, edição após edição.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;essa-curiosidade-também-apareceu-na-escola&quot;&gt;Essa curiosidade também apareceu na escola&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Tive uma professora de Biologia que mudou completamente a forma como enxergava uma sala de aula. Não era apenas o conteúdo, mas a maneira como ela conseguia despertar curiosidade antes mesmo de começar a explicar qualquer assunto. Durante anos achei que queria ser exatamente como ela. Entrei na universidade, fiz Licenciatura em Ciências com habilitação em Biologia e passei cerca de seis anos dando aula em escolas da prefeitura e do estado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A escola pública me ensinou muito mais do que imaginava. Aprendi sobre desigualdade, criatividade, improviso e, principalmente, sobre pessoas. Também foi ela que me mostrou que aquele sonho não sobreviveria da forma como havia imaginado. Foi uma despedida difícil, porque não estava abandonando apenas uma profissão. Estava abrindo mão de um projeto de vida que me acompanhava desde a adolescência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje entendo que nunca deixei de querer ensinar. Apenas encontrei outras formas de fazer isso. Talvez seja por esse motivo que meus projetos tenham sempre algum vínculo com educação, mesmo quando falam de acessibilidade, design ou tecnologia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu primeiro emprego veio ainda antes da universidade. Aos quinze anos, comecei a trabalhar como auxiliar de biblioteca enquanto fazia um curso de inglês. Passava os dias cercado de livros, revistas e gente procurando informação. Na época parecia apenas um trabalho de adolescente. Hoje gosto da coincidência de perceber que minha vida profissional começou dentro de uma biblioteca e continua, de certa forma, girando em torno do conhecimento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Enquanto tudo isso acontecia, existia outra escola funcionando em paralelo.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;a-internet&quot;&gt;A internet&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Descobri a web no começo dos anos 2000, quando ela ainda parecia um conjunto de pequenos bairros. As pessoas tinham blogs, páginas pessoais, livros de visitas, fóruns e listas de links. Você encontrava alguém por acaso e, algumas semanas depois, já estava acompanhando a vida daquela pessoa como se morasse na mesma rua.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Passei incontáveis horas aprendendo HTML, quebrando layouts, tentando entender CSS e escrevendo textos que provavelmente só meia dúzia de pessoas leu. Nunca achei que estava aprendendo uma profissão, só estava me divertindo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também passei noites esperando downloads terminarem no &lt;a href=&quot;https://www.slsknet.org/&quot;&gt;Soulseek&lt;/a&gt;. Meu primeiro álbum baixado foi &lt;a href=&quot;/music/yeah-yeah-yeahs-fever-to-tell-2017/&quot;&gt;&lt;em&gt;Fever to Tell&lt;/em&gt;, do Yeah Yeah Yeahs&lt;/a&gt;. A minha banda preferida, tudo após assitir &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=NGNHQKeoSGY&quot;&gt;Date With The Night&lt;/a&gt;. As nove primeiras faixas chegaram naquele mês, a última só apareceu semanas depois porque os pulsos do telefone acabaram antes do download terminar. Hoje parece estranho esperar tanto tempo por uma música, mas, naquela época, esperar também fazia parte da experiência (ruim).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez seja por isso que sinta tanta “saudade” daquela internet. Ela era mais lenta, mais imperfeita e infinitamente menor, mas também parecia &lt;strong&gt;mais humana&lt;/strong&gt;. Você conhecia as pessoas pelos textos que escreviam (Blogspot era um rei), pelas músicas que ouviam (horas vendo &lt;a href=&quot;https://www.last.fm/user/wagnerbeethoven&quot;&gt;LastFM&lt;/a&gt; e procurando quem era super), pelos links que compartilhavam e pelos projetos que construíam. Antes mesmo das redes sociais, já existia uma sensação de “proximidade” difícil de explicar para quem não viveu aquele período.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Minha adolescência também era feita de pequenas comunidades, tinha muitos amigos, passava boa parte do tempo cercado de gente e fazia amizades com facilidade. A vida adulta foi afinando esse círculo até ele caber nos dedos de uma mão. Não vejo isso necessariamente como uma perda, apenas entendi que algumas pessoas permanecem por décadas, enquanto outras pertencem exatamente ao momento em que as conhecemos.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;foi-nessa-internet-que-comecei-a-construir-sites&quot;&gt;Foi nessa internet que comecei a construir sites.&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Ajudei a fundar a &lt;a href=&quot;http://revistaogrito.com&quot;&gt;Revista O Grito&lt;/a&gt;, quando ela ainda era pequeno projeto sobre cultura pop. Escrevia, diagramava e ajudava a desenvolver o site. Depois que sair d’O Grito, ao lado de Belisa, criamos a &lt;a href=&quot;https://wagnerbeethoven.github.io/revistazena_site/&quot;&gt;Revista Žena&lt;/a&gt;, projeto editorial dedicado à literatura e ao universo feminino, que passou por diferentes formatos, incluindo uma revista impressa e &lt;a href=&quot;https://wagnerbeethoven.com.br/project/zine-zena/&quot;&gt;fanzine&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Olhando para trás, percebo que gostava menos da tecnologia em si do que da possibilidade de conectar pessoas por meio dela. Sem perceber, já organizava informação antes de saber o que era arquitetura da informação e já me preocupava com a experiência de quem navegava por um site antes de conhecer a expressão experiência do usuário. Já fazia design antes mesmo de saber que aquilo tinha nome.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando migrei de carreira, a sensação não foi a de começar outra vida. Foi a de finalmente encontrar o nome daquilo que já fazia havia anos. Talvez seja por isso que meus projetos pareçam tão diferentes entre si. Acessibilidade, cultura, educação, tecnologia e meio ambiente podem parecer assuntos distantes, mas, para mim, todos falam da mesma coisa: tornar informação, conhecimento e oportunidades um pouco mais acessíveis.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O &lt;a href=&quot;https://focoacessivel.com.br/&quot;&gt;Foco Acessível&lt;/a&gt;, a &lt;a href=&quot;https://a11yhubbr.com.br/&quot;&gt;A11YBR&lt;/a&gt;, o &lt;a href=&quot;http://ecoleta.app.br/&quot;&gt;Ecoleta&lt;/a&gt; e este blog nasceram exatamente desse lugar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também existem pequenas constantes que atravessam toda essa história, ainda releio &lt;a href=&quot;/bookshelf/trilogia-suja-de-havana/&quot;&gt;&lt;em&gt;Trilogia Suja de Havana&lt;/em&gt;, do Pedro Juan Gutiérrez&lt;/a&gt;, como quem reencontra um velho conhecido. Ainda volto para os animes da Manchete, especialmente &lt;em&gt;Cavaleiros do Zodíaco&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Shurato&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Yu Yu Hakusho&lt;/em&gt;. Já assisti a todos mais de uma vez e provavelmente vou assistir de novo, sempre com a sensação de quem está vendo pela primeira vez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Continuo gostando de filmes de terror, embora qualquer história com extraterrestres ou tubarões ainda consiga me deixar desconfortável, talvez por causa dessa memória construída pelo entretenimento, levo sustos nas situações mais simples e me envolvo demais com o que estou assistindo. Se for um drama, provavelmente vou chorar e, dependendo da situação, precisarei pausar o filme para me recompor, a primeira vez em que me lembro de ter sentido isso foi assistindo a &lt;em&gt;Filadélfia&lt;/em&gt;, com Tom Hanks.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Continuo jogando videogame.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na infância, tinha um Super Nintendo e carregava a convicção de que era muito bom em qualquer jogo. Hoje essa confiança ficou no passado. Os reflexos diminuíram, a habilidade já não é a mesma e, quase sempre, a culpa pela derrota é minha, não do controle.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mesmo assim, continuo jogando, e hoje meu interesse por consoles está concentrado em &lt;a href=&quot;/tags/#tag-diablo/&quot;&gt;Diablo&lt;/a&gt;. Desde o terceiro jogo, meu personagem quase sempre é um feiticeiro, e tento seguir meta-builds sempre que possível (&lt;a href=&quot;https://maxroll.gg/d4/build-guides&quot;&gt;Maxroll&lt;/a&gt;, te 💗). Agora estou completamente envolvido com &lt;em&gt;Diablo IV&lt;/em&gt;, tentando construir um mago cada vez mais poderoso e aceitando, com alguma humildade, que a build pode estar perfeita e, ainda assim, continuar morrendo porque apertei o botão errado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez seja justamente isso que me faça voltar. Não é mais para provar que ainda sou bom, alguns hobbies deixam de ser desafios e passam a ser lugares onde a gente gosta de estar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda compro quadrinhos, hoje em uma frequência bem menor. Acompanho apenas a edição bimestral do Hulk e a coleção histórica de Spawn publicada pela Panini.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também continuo preferindo &lt;a href=&quot;/recipes/café-coado/&quot;&gt;um café coado&lt;/a&gt; com calma, mesmo sentindo certa raiva durante o processo, há alguma coisa no tempo da moagem, da água e da espera que faz o gole parecer melhor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A idade também me mostrou que reaprender pode ser muito mais difícil do que aprender pela primeira vez. Durante a pandemia perdi parte da pessoa que era e ainda passo boa parte do tempo tentando juntar esses pedaços, por isso tenha decidido aprender crochê. Parece simples quando outra pessoa faz, mas basta segurar a agulha para perceber o tamanho do desafio. Vou de &lt;a href=&quot;https://youtu.be/ZQM1GS3uDz8?si=StOaCP-ldIiCqiH7&quot;&gt;tutorial&lt;/a&gt; em &lt;a href=&quot;https://youtu.be/TRLyB8K31xQ?si=JBv2XUKHqvRf42WM&quot;&gt;tutorial&lt;/a&gt;, desmancho mais pontos do que consigo terminar e continuo tentando.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-07-21-por-tras-do-blog-croche.jpg&quot; alt=&quot;Kit de crochê&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Já comecei a olhar também para aqueles kits de desenho, talvez porque confie mais na minha habilidade com o lápis do que com os dedos e as agulhas, não vejo isso como desistência, é apenas mais uma tentativa de aprender alguma coisa nova, mesmo quando ela parece difícil demais no começo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Reconstruir a gente também passe por isso: escolher uma atividade, errar bastante e continuar insistindo até reconhecer alguma coisa de nós mesmos no resultado.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Ainda acredito que um bom texto pode mudar a forma como alguém enxerga um assunto, é exatamente por isso que este blog existe. Escrever sempre foi uma forma de organizar o que penso, mas ler continua sendo a melhor maneira que encontrei de mudar de ideia. Se este espaço também servir para levar alguém aos textos, livros, filmes e projetos que me influenciaram, já terá cumprido parte do seu propósito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Margem Viva não nasceu para funcionar como mais um braço profissional, embora o trabalho apareça por aqui porque ele também faz parte de quem sou. Sempre volto a essa tentativa de separar o profissional do pessoal, talvez para deixar registrado para mim mesmo qual é o propósito deste espaço, o blog é uma vitrine das minhas ideias, das minhas opiniões do momento e das coisas que ainda estou tentando entender.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele nasceu, principalmente, porque sinto falta de uma internet em que as pessoas escreviam para registrar o mundo, e não para disputar atenção como acontece nas redes sociais. Quero que este seja um lugar para falar sobre design, acessibilidade, livros, filmes, quadrinhos, tecnologia, café, projetos, memórias, dúvidas e qualquer outra coisa que desperte minha curiosidade, independentemente da audiência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não tenho calendário editorial nem obrigação de performar como escritor, cronista, jornalista ou qualquer outro profissional das letras e nem quero parecer especialista em tudo. Quero apenas ser alguém tentando entender melhor o mundo enquanto escreve sobre ele.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Passei boa parte da vida construindo pequenos lugares para as pessoas encontrarem histórias, informação ou outras pessoas, alguns duraram pouco, outros continuam vivos até hoje. Este blog é só mais um deles, se voltar a estes textos daqui a alguns anos, espero encontrar menos uma coleção de publicações e mais um retrato honesto de quem estava me tornando. Porque, no fim das contas, talvez seja isso que um blog sempre tenha sido.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Tue, 21 Jul 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/por-tras-do-blog/</link>
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      <category>Blog pessoal</category>
      
      <category>Memória</category>
      
      <category>Trabalho e Carreira</category>
      
      <category>Quadrinhos</category>
      
      <category>Educação</category>
      
      <category>Tecnologia</category>
      
      <category>EntreBlogs</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>o fim do TV Time e a necessidade de ter um local próprio com nossas memórias</title>
      <description>&lt;p&gt;Passei um tempo sem acompanhar os links compartilhados no grupo do &lt;a href=&quot;http://entreblogs.com.br&quot;&gt;EntreBlogs&lt;/a&gt;. Resolvi dar uma desacelerada e passear por outros jardins da internet e scabei chegando a um texto do &lt;a href=&quot;https://pedro.dalbo.me/blog/depender-das-plataformas-e-o-problema/&quot;&gt;Pedro sobre o encerramento do TV Time&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fiquei pensando em quantos pequenos lugares da internet simplesmente desaparecem&lt;/strong&gt; e em como depositamos neles tempo, expectativa e memória. Só para ter uma ideia, existe até um &lt;a href=&quot;https://killedbygoogle.com/&quot;&gt;cemitério dos serviços do Google&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O &lt;a href=&quot;https://app.tvtime.com/user/2714309&quot;&gt;TV Time&lt;/a&gt; nunca foi exatamente uma rede social, e talvez esse fosse justamente o seu charme, fazia muito bem uma única coisa (não exigia horas de permanência e também não tentava capturar minha atenção), &lt;em&gt;registrava o que assistia, consultava meu histórico e ia embora&lt;/em&gt;. A única notificação era um aviso quando um episódio novo era lançado, era simples e me bastava.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O texto do Pedro me lembrou que a internet de hoje parece ter esquecido esse tipo de simplicidade. Tudo precisa virar rede social, tipo o &lt;a href=&quot;https://tecnoblog.net/noticias/youtube-libera-mensagens-diretas-no-brasil-veja-como-funciona/&quot;&gt;YouTube agora liberou mensagens diretas&lt;/a&gt;. Tudo precisa de algoritmo, vídeos curtos, comentários, engajamento e tempo de tela. No meio desse caminho, vamos entregando nossos registros para plataformas que não controlamos, e um dia elas mudam de direção e no outro, deixam de existir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nos últimos anos percebi que, aos poucos, fui fazendo o movimento contrário. Grande parte do que quero guardar já está no meu próprio site: &lt;a href=&quot;/bookshelf/&quot;&gt;livros&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;/movies/&quot;&gt;filmes&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;/projects/&quot;&gt;projetos&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;/blog/&quot;&gt;textos&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;/photos/&quot;&gt;fotografias&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;/#explorar&quot;&gt;tantas outras coisas&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não quero abandonar as redes sociais. Meu site não tem a força, nem o propósito de uma delas. Continuo usando esses espaços porque eles aproximam pessoas e facilitam encontros. Desde a pandemia, trabalhando em home office, percebi que eles também diminuem um pouco a sensação de isolamento.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Na minha profissão é praticamente impossível ignorar plataformas como Behance, Medium ou LinkedIn. Elas concentram pessoas, oportunidades e conversas que fazem muita diferença na vida profissional. Mesmo assim, me sinto menos desinteressado nelas.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, a internet mudou de um jeito que ainda estou tentando entender. Nossas fotos, textos e vídeos passaram a alimentar modelos de inteligência artificial. Talvez isso traga benefícios, mas também abre espaço para problemas que ainda estamos começando a enxergar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/07/09/ia-da-meta-permite-que-outras-pessoas-criem-deepfakes-com-fotos-do-seu-instagram-veja-como-impedir.ghtml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-07-12-ia-da-meta-permite-que-outras-pessoas-criem-deepfakes-com-fotos-do-seu-instagram-veja-como-impedir.jpeg&quot; alt=&quot;IA da Meta permite que outras pessoas criem deepfakes com fotos do seu Instagram; veja como impedir. Ferramenta identifica automaticamente perfis a partir da menção ao @ e usa publicações públicas para gerar imagens. Por Darlan Helder, g1.&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda é cedo para entender todas as consequências, mas a sensação de que estamos construindo em terreno emprestado nunca foi tão forte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando o TV Time sair do ar, não pretendo procurar outro serviço para substituí-lo. Vou fazer o que já venho tentando fazer há algum tempo: registrar tudo aqui e tlvez até use alguma IA para automatizar parte desse processo e facilitar a atualização dos conteúdos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É verdade que essas plataformas tornam muito mais fácil registrar e compartilhar o que fazemos, mas, diante de tantos encerramentos de serviços e mudanças de rumo, manter um site pessoal talvez seja hoje uma forma de preservar a própria história.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não porque ele seja melhor do que as plataformas, mas porque ele continua sendo meu.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Em memória ao TV Time, algumas estatísticas:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;&lt;strong&gt;Tempo assistindo séries:&lt;/strong&gt; 7 meses, 28 dias e 1 hora&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;strong&gt;Episódios assistidos:&lt;/strong&gt; 5.281&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;strong&gt;Tempo assistindo filmes:&lt;/strong&gt; 7 dias e 13 horas&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;&lt;strong&gt;Filmes assistidos:&lt;/strong&gt; 99&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Esses números provavelmente vão se perder. Talvez exista alguma API de outro serviço para que eu continue registrando esses números, mas, se não existir, eles desaparecem junto com o serviço e talvez esse seja justamente o ponto deste texto.&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Sun, 12 Jul 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/o-fim-do-tv-time-e-a-necessidade-de-ter-um-local-proprio-com-nossas-memorias/</link>
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      <category>IndieWeb</category>
      
      <category>Memória</category>
      
      <category>Redes sociais</category>
      
      <category>Autonomia digital</category>
      
      <category>Blog pessoal</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>O cansaço de existir nas redes</title>
      <description>&lt;p&gt;Esse texto nasceu depois desse post no bluesky:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote class=&quot;bluesky-embed&quot; data-bluesky-uri=&quot;at://did:plc:77x5s2rco6n7j6hvaskk2fgx/app.bsky.feed.post/3moip23lpd225&quot; data-bluesky-cid=&quot;bafyreifaajaddb3cufgmuqhcenyl5zg5gmwmj7hbu44pvulknbluvoalyy&quot; data-bluesky-embed-color-mode=&quot;system&quot;&gt;&lt;p lang=&quot;pt&quot;&gt;deus sabe a raiva que eu tenho de ter que sempre abrir uma conta do Instagram pra cada coisa que eu tenha que abrir na internet.&lt;/p&gt;&amp;mdash; Wagner Beethoven (&lt;a href=&quot;https://bsky.app/profile/did:plc:77x5s2rco6n7j6hvaskk2fgx?ref_src=embed&quot;&gt;@wagnerbeethoven.com.br&lt;/a&gt;) &lt;a href=&quot;https://bsky.app/profile/did:plc:77x5s2rco6n7j6hvaskk2fgx/post/3moip23lpd225?ref_src=embed&quot;&gt;17 de junho de 2026 às 13:07&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;script async=&quot;&quot; src=&quot;https://embed.bsky.app/static/embed.js&quot; charset=&quot;utf-8&quot;&gt;&lt;/script&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Desde que eu inventei de ter produto digital, entrei numa batalha constante com as redes sociais.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com o &lt;a href=&quot;http://focoacessivel.com.br&quot;&gt;Foco Acessível&lt;/a&gt;, isso fica ainda mais evidente. É um produto de supernicho, os números não chegam nem perto do que eu gostaria, mas eu sei que existe muito valor ali. Tem conversa boa, tem conteúdo relevante, tem convidados interessantes e eu sei, sem falsa modéstia, que eu não sou um host ruim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu estudo os temas, preparo as perguntas, trabalho as âncoras da conversa e tento conectar contexto com experiência real. O episódio pode ser longo? Pode. Poderia ser mais dinâmico? Também poderia. Mas, para quem trabalha com acessibilidade, é um momento muito rico para aprender com pessoas que vivem, estudam, pesquisam e constroem esse campo todos os dias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E aqui existe uma camada importante: nem todo conteúdo precisa seguir a lógica da velocidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando falamos de acessibilidade, também falamos de diferentes formas de perceber, processar e consumir informação. Mudanças bruscas de fundo, excesso de cortes, fala acelerada, estímulos visuais o tempo inteiro e edição frenética podem incomodar ou afastar parte do próprio público que esse conteúdo tenta alcançar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então, em alguma medida, consumir esse tipo de conteúdo também pede empatia. Pede tempo. Pede escuta.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Tenho achado cada vez mais estranho como a gente passou a tratar qualquer conteúdo que exige alguns minutos de atenção como perda de tempo. Parece absurdo não ter mais 30 segundos para “perder” em um áudio de WhatsApp, em um vídeo, em um texto ou em uma conversa um pouco mais longa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Eu sou ansioso&lt;/strong&gt;, ouvir tudo em 2x não me ajuda, só amplifica essa sensação de pressa. Gosto de ouvir as coisas em 1x, áudio, vídeo no YouTube, podcast, leitura. Eu tento prestar atenção nas palavras e às vezes me pergunto se essa obsessão por leitura dinâmica, cortes rápidos e consumo acelerado não é também um sintoma coletivo de ansiedade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As redes sociais mudaram muito a forma como a gente consome conteúdo. Hoje, para ter “sucesso”, parece que tudo precisa virar vídeo curto, frase de impacto, carrossel mastigado, dica rápida, cortes com legenda piscando e promessa de aprendizado em poucos segundos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O poder de processamento parece cada vez mais rápido, mas também cada vez mais raso e isso cria um problema muito concreto para quem está tentando construir alguma coisa com calma, profundidade e consistência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No momento de vida em que estou, tenho alguns produtos digitais em construção. E esses produtos precisam existir nas redes (infelizmente é necessário). Eles, precisam ter presença, seguidores, interação, recorrência, consistência visual, narrativa, calendário editorial, conteúdo educativo, conteúdo de bastidor, conteúdo de venda, conteúdo de autoridade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Só que existe um custo emocional nisso tudo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;Sabe aquele advogado que tem carro de luxo, terno caro, escritório bonito e vive no vermelho? Às vezes sinto que a construção de persona nas redes sociais funciona um pouco assim. Tudo precisa parecer maior, mais sólido e mais bem-sucedido do que realmente está sendo por dentro.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;É uma estética permanente de tração, mesmo quando o &lt;strong&gt;bastidor é cansaço&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E, sendo um homem só, com tantas frentes abertas, às vezes começo cada projeto já com uma sensação de derrota. Não pela qualidade da ideia, nem pela falta de vontade, mas pela régua artificial que as redes sociais colocam sobre qualquer coisa que ainda está nascendo.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;ecoleta&quot;&gt;Ecoleta&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-06-17-ecoleta-og-cover.png&quot; alt=&quot;Banner Ecoleta&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Confira: &lt;a href=&quot;http://ecoleta.app.br&quot;&gt;ecoleta.app.br&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Redes @ecoletapp: &lt;a href=&quot;https://instagram.com/ecoletapp&quot;&gt;instagram&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://linkedin.com/company/ecoletapp&quot;&gt;linkedin&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;O Ecoleta, por exemplo, nasceu de um case de &lt;a href=&quot;https://wagnerbeethoven.com.br/project/capybem/&quot;&gt;design que fiz em 2020&lt;/a&gt; para uma vaga. Resolvi materializar a ideia, dar nome, comprar domínio e transformar aquilo em um produto navegável, com cara de produto de verdade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A proposta é simples&lt;/strong&gt;: conectar pessoas que querem doar recicláveis com cooperativas e artesãos que podem reaproveitar esses materiais. Existe uma lógica de gamificação por trás, integração com redes sociais, banners de conquistas, ranking e uma experiência visual que ficou muito bonita. &lt;strong&gt;É um projeto que me dá orgulho&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;a11ybr&quot;&gt;A11YBR&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-06-17-a11ybr-og-cover.png&quot; alt=&quot;Banner A11YBR&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Confira: &lt;a href=&quot;http://a11yhubbr.com.br&quot;&gt;a11yhubbr.com.br&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Redes @a11yhubbr: &lt;a href=&quot;https://www.linkedin.com/company/a11yhubbr&quot;&gt;linkedin&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;https://www.instagram.com/a11yhubbr&quot;&gt;instagram&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://bsky.app/profile/a11yhubbr.bsky.social&quot;&gt;bluesky&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Assine: &lt;a href=&quot;https://a11yhubbr.substack.com/&quot;&gt;Substack&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Também tem o A11YBR, que já apareceu por &lt;a href=&quot;/blog/quando-ninguem-liga-a-gente-cria-comunidade/&quot;&gt;aqui em outro texto&lt;/a&gt;. A ideia é ser um &lt;strong&gt;banco de dados de iniciativas, conteúdos, profissionais e referências em acessibilidade digital no Brasil&lt;/strong&gt;. É um projeto que muito sentido pra mim, mas ainda tem um engajamento fraco. O sentimento de fracasso aparece, pesa, mas sigo tentando não deixar isso virar desistência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No meio disso, inventei também uma &lt;a href=&quot;https://a11yhubbr.substack.com/&quot;&gt;newsletter&lt;/a&gt;. Curiosamente, talvez por exigir menos esforço das pessoas, ela tem crescido melhor. O formato parece mais honesto com o tipo de relação que eu gostaria de construir: menos refém de algoritmo, mais direto, mais cuidadoso, por causa da comunidade que a plataforma tá inserida.&lt;/p&gt;

&lt;h1 id=&quot;lombada&quot;&gt;Lombada&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-06-17-lombada-og-cover.png&quot; alt=&quot;Banner Lombada&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Confira: &lt;a href=&quot;http://minhalombada.com.br&quot;&gt;minhalombada.com.br&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Redes @a11yhubbr: &lt;a href=&quot;https://www.instagram.com/minhalombada&quot;&gt;instagram&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://bsky.app/profile/minhalombada.bsky.social&quot;&gt;bluesky&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;E agora tem a Lombada, minha iniciativa mais recente. Um aplicativo/site para registrar coleções de gibis, mangás e quadrinhos. É uma ideia antiga, que usei como pretexto em um processo que tive como mentor. Junto com a mentorada, fizemos uma pesquisa, trabalhamos a parte de &lt;em&gt;discovery&lt;/em&gt;, mas o final do processo com ela, acabei mergulhando de cabeça em UI, arquitetura do software e processo de manutenção.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fiz tudo isso para concluir todo o processo.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;São projetos diferentes, com públicos diferentes, propostas diferentes e necessidades diferentes, mas todos esbarram na mesma parede: precisam comunicar, precisam disputar atenção, precisam existir em ambientes que favorecem velocidade, simplificação e repetição. Eu ainda não sei como vou dar conta de tantos Instagrams, tantas redes, tantos formatos e tantos calendários, mas vou seguir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, não consigo deixar de sentir que a internet perdeu muito com o &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/RSS&quot;&gt;enfraquecimento do RSS&lt;/a&gt;, com a “morte gradual” dos blogs pessoais, com a falta de profundidade dos textos mais densos e com essa ideia de que todo conteúdo precisa caber no tempo de retenção de uma plataforma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez seja ingenuidade minha, talvez seja teimosia, talvez seja só cansaço, mas eu ainda acredito em conteúdo que pede tempo.&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Em conversa longa.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Em texto que não precisa correr.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Em projeto pequeno que nasce devagar.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Em produto que ainda está procurando seu público.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;E talvez a minha batalha com as redes sociais seja justamente essa: &lt;strong&gt;tentar construir coisas que precisam circular nelas, sem deixar que elas ditem completamente o valor do que eu estou construindo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Wed, 17 Jun 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/o-cansaco-de-existir-nas-redes/</link>
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      <category>Redes sociais</category>
      
      <category>Internet</category>
      
      <category>Escrita</category>
      
      <category>Acessibilidade</category>
      
      <category>Foco Acessível</category>
      
      <category>Comunidade</category>
      
      <category>Terapia</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Quando ninguém liga, a gente cria comunidade</title>
      <description>&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Desde que migrei para a carreira tech, lá pelos meus vinte e poucos anos, acessibilidade e inclusão passaram a ocupar um lugar central nos meus estudos. Na época, eu talvez ainda não soubesse nomear tudo com precisão, mas já havia uma inquietação ali.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma das primeiras situações que me marcou aconteceu em uma empresa que contratou um profissional exclusivamente para desenvolver o site e sistema de uma licitação vencida da &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinagoga_Kahal_Zur_Israel&quot;&gt;Kahal Zur Israel&lt;/a&gt;, aqui no Recife.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O público envolvido era formado por stakeholders judeus idosos, e essa informação é importante porque mostra como contexto, cultura, idade, repertório e familiaridade com tecnologia influenciam diretamente a forma como uma pessoa usa um produto digital.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O site ficou muito bonito para o contexto de quinze anos atrás. Visualmente, era um trabalho impressionante. Só que as pessoas que precisavam usar não conseguiram se apropriar da experiência. Elas não curtiram, não porque o site fosse feio, mas porque ele não fazia sentido suficiente para elas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aquilo acendeu uma curiosidade que nunca mais apagou.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;criar-interfaces-bonitas-era-pouco&quot;&gt;Criar interfaces bonitas era pouco&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Comecei a estudar acessibilidade, usabilidade e inclusão porque percebi que criar interfaces bonitas era pouco, uma experiência digital podia ser bem resolvida visualmente e, ainda assim, falhar completamente para quem mais precisava dela. A partir dali, a cada nova experiência profissional, fui acumulando aprendizados, mas também uma frustração recorrente: &lt;em&gt;muita gente só passa a se importar com acessibilidade quando alguém próximo se encaixa em alguma dimensão da diversidade&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É uma percepção dura, mas foi se confirmando ao longo dos anos&lt;/strong&gt;. Acessibilidade costuma aparecer tarde, aparece depois da reclamação, depois do risco jurídico, depois da crise de imagem, depois que uma pessoa com deficiência entra no time, depois que alguém da liderança tem uma experiência pessoal com barreira, exclusão ou dependência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Antes disso, muitas vezes ela é tratada como detalhe, custo, favor ou pauta paralela.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;quando-acessibilidade-vira-incômodo&quot;&gt;Quando acessibilidade vira incômodo&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Na minha última experiência profissional, acessibilidade apareceu nos bastidores como um dos motivos do meu desligamento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Oficialmente, a justificativa foi falta de fit cultural. Extraoficialmente, a conversa era outra, esse tipo de coisa é difícil de provar, mas também é difícil de ignorar quando você vive o processo por dentro e talvez esse seja um dos pontos mais cansativos de trabalhar com acessibilidade: você está falando de direito, qualidade, autonomia, experiência e responsabilidade, mas mesmo assim, em muitos ambientes, isso ainda soa como incômodo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dito isso, eu criei o &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://a11yhubbr.com.br&quot;&gt;A11YBR&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;o-a11ybr-nasce-da-frustração-mas-também-da-vontade&quot;&gt;O A11YBR nasce da frustração, mas também da vontade&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Aqui o tom muda um pouco, porque apesar de toda a frustração acumulada, eu estou genuinamente animado com o projeto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O &lt;a href=&quot;http://a11yhubbr.com.br&quot;&gt;A11YBR&lt;/a&gt; nasceu como uma comunidade para reunir, organizar e compartilhar informações sobre acessibilidade digital no Brasil. Conteúdos, pessoas, ferramentas, eventos, pesquisas, iniciativas, referências, oportunidades e discussões que muitas vezes ficam espalhadas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu joguei essa ideia para o universo e estou vendo ela ganhar forma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Junto com a comunidade, também criei uma &lt;a href=&quot;https://a11yhubbr.substack.com&quot;&gt;newsletter&lt;/a&gt;. A ideia é publicar quinzenalmente uma curadoria com assuntos relevantes sobre acessibilidade, tecnologia, design, produto, desenvolvimento, pesquisa, inclusão e tudo que atravessa esse campo.&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Mesmo sabendo que a aderência inicial pode ser baixa.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Mesmo estando inserido em comunidades de acessibilidade.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Mesmo sabendo que o tema ainda circula muito menos do que deveria.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;A verdade é que, muitas vezes, parece que ninguém realmente liga.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;a-gente-ganha-mais-quando-se-une&quot;&gt;A gente ganha mais quando se une&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Aqui vem outra camada do desabafo: até entre profissionais que trabalham com acessibilidade, às vezes existe uma lógica de isolamento, disputa ou autopreservação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu entendo parte disso. O mercado é difícil, o reconhecimento é desigual, os espaços são poucos e muita gente precisou brigar muito para ser ouvida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda assim, eu acredito que a gente ganha mais quando se une. Competição, para mim, faz sentido no esporte. Na vida profissional e nas causas sociais, competição excessiva gera ruído, fragmenta energia e enfraquece agendas que já enfrentam resistência suficiente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acessibilidade digital no Brasil precisa de mais conexão, mais circulação de informação, mais reconhecimento mútuo e mais espaços onde pessoas diferentes possam contribuir sem precisar disputar protagonismo o tempo inteiro.&lt;/p&gt;

&lt;h2 id=&quot;talvez-seja-promoção-tlvez-seja-desabafo&quot;&gt;Talvez seja promoção, tlvez seja desabafo.&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;O &lt;a href=&quot;http://a11yhubbr.com.br&quot;&gt;A11YBR&lt;/a&gt; nasce desse lugar: da frustração, sim, mas também da vontade de construir alguma coisa útil. Um espaço para dar visibilidade ao que já existe, aproximar pessoas, organizar conhecimento e fortalecer uma pauta que não deveria depender da boa vontade de quem decide.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez esse texto seja uma promoção do projeto, mas também é um desabafo e talvez as duas coisas possam existir juntas.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;h3 id=&quot;confira-os-links-do-projeto&quot;&gt;Confira os links do projeto:&lt;/h3&gt;

&lt;p&gt;Site: &lt;a href=&quot;https://a11yhubbr.com.br/&quot;&gt;a11yhubbr.com.br&lt;/a&gt;
Instagram: &lt;a href=&quot;https://instagram.com/a11yhubbr&quot;&gt;instagram.com/a11yhubbr&lt;/a&gt;
LinkedIn: &lt;a href=&quot;https://www.linkedin.com/company/a11yhubbr&quot;&gt;linkedin.com/company/a11yhubbr&lt;/a&gt;
Bluesky: &lt;a href=&quot;https://bsky.app/profile/a11yhubbr.bsky.social&quot;&gt;bsky.app/profile/a11yhubbr.bsky.social&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;iframe src=&quot;https://a11yhubbr.substack.com/embed&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;320&quot; style=&quot;border:1px solid #EEE; background:white;&quot; frameborder=&quot;0&quot; scrolling=&quot;no&quot;&gt;
&lt;/iframe&gt;
</description>
      <pubDate>Wed, 03 Jun 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/quando-ninguem-liga-a-gente-cria-comunidade/</link>
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      <category>Acessibilidade</category>
      
      <category>LGBT</category>
      
      <category>Comunidade</category>
      
      <category>Trabalho e Carreira</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>E se eu não for nada disso?</title>
      <description>&lt;p&gt;Tem uma hora da vida em que você começa a desmontar silenciosamente tudo aquilo que usava para se definir. Não acontece de forma dramática, geralmente vem aos poucos, quase sem perceber. &lt;br /&gt;
Você olha para o trabalho e entende que ele ocupa tempo demais para continuar sendo tratado como identidade.&lt;br /&gt;
Olha para relacionamentos antigos e percebe quantas versões de si mesmo existiram só para caber nas expectativas dos outros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Até sonhos que pareciam fundamentais começam a perder contorno, como coisas que fizeram sentido para uma versão anterior sua, mas já não explicam completamente quem você é hoje.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acho que existe um desconforto muito específico em perceber isso porque a gente cresce acreditando que precisa “virar alguém”. Como se existisse uma versão definitiva esperando para ser encontrada em algum momento da vida:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;o profissional certo,&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;o homem seguro de si,&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;a pessoa resolvida emocionalmente,&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;alguém coerente o suficiente para conseguir responder sem hesitar quem é.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Só que quanto mais o tempo passa, mais eu sinto que quase tudo em nós foi construído antes mesmo da gente ter consciência suficiente para escolher qualquer coisa. Antes do primeiro pensamento já existia expectativa. Nome, comportamento, referência de sucesso, ideia de masculinidade, medo de fracassar, desejo de pertencimento. A gente aprende muito cedo a performar alguma versão aceitável de si mesmo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez por isso essa pergunta “&lt;em&gt;quem sou eu?&lt;/em&gt;” seja tão difícil de responder sem cair em algum tipo de personagem. Porque quando você remove profissão, rotina, validação, relacionamento, desejo de reconhecimento e até aquilo que gostaria de ser, sobra um vazio meio estranho. Não um vazio necessariamente ruim, mas desconfortável. Como se pela primeira vez não existisse uma descrição pronta disponível.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E eu acho curioso como muita gente tenta resolver isso buscando uma essência interior definitiva, uma verdade absoluta escondida em algum lugar, quando talvez ela simplesmente não exista dessa forma organizada que a gente gostaria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje eu penso muito mais identidade como responsabilidade do que descoberta. Não como algo que você encontra, mas algo que você sustenta. As escolhas que continua fazendo mesmo cansado. As coisas que decide preservar em você quando seria mais fácil abandonar. Os afetos que permanecem importantes apesar das mudanças. Os limites que aprende a criar depois de anos tentando agradar todo mundo. Existe alguma coisa profundamente humana nesse processo de perceber que talvez ninguém saiba exatamente quem é, mas ainda assim todo mundo precisa continuar escolhendo o que fazer consigo mesmo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E talvez seja isso que mais me pega nessa ideia toda: no fim das contas, a vida não parece muito interessada em entregar respostas definitivas sobre identidade. Ela só continua colocando a gente diante das próprias escolhas, o tempo inteiro. Talvez o mais próximo que exista de “ser alguém” esteja justamente aí, na forma como cada pessoa decide lidar com tudo aquilo que fizeram dela ao longo do caminho.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;— &lt;em&gt;O que você é?&lt;/em&gt;
— &lt;em&gt;Eu sou [insira sua profissão aqui (talvez seja essa sua reposta)]&lt;/em&gt;
— &lt;em&gt;Não é o que você é, é o que faz, &lt;strong&gt;se deixar de fazer o que faz, você deixará de ser quem é?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Esse texto nasceu depois de vários momentos revendo o video do &lt;a href=&quot;http://instagram.com/@pixuzin&quot;&gt;@Wesley Cruz&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;blockquote class=&quot;instagram-media&quot; data-instgrm-captioned=&quot;&quot; data-instgrm-permalink=&quot;https://www.instagram.com/reel/DWQ5aERATd9/?utm_source=ig_embed&amp;amp;utm_campaign=loading&quot; data-instgrm-version=&quot;14&quot; style=&quot; background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);&quot;&gt;&lt;div style=&quot;padding:16px;&quot;&gt; &lt;a href=&quot;https://www.instagram.com/reel/DWQ5aERATd9/?utm_source=ig_embed&amp;amp;utm_campaign=loading&quot; style=&quot; background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt; &lt;div style=&quot; display: flex; flex-direction: row; align-items: center;&quot;&gt; &lt;div style=&quot;background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; 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&lt;div style=&quot; color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;&quot;&gt;Ver essa foto no Instagram&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;padding: 12.5% 0;&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;&quot;&gt;&lt;div&gt; &lt;div style=&quot;background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;margin-left: 8px;&quot;&gt; &lt;div style=&quot; background-color: #F4F4F4; 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&lt;script async=&quot;&quot; src=&quot;//www.instagram.com/embed.js&quot;&gt;&lt;/script&gt;

</description>
      <pubDate>Thu, 14 May 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/e-se-eu-nao-for-nada-disso/</link>
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      <category>Identidade</category>
      
      <category>Terapia</category>
      
      <category>Trabalho e Carreira</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Tem dias ruins que ainda valem a pena</title>
      <description>&lt;p&gt;Recentemente voltei a assistir &lt;a href=&quot;serie/origem&quot;&gt;From&lt;/a&gt;, seriado ótimo. Eu tinha parado na primeira temporada, mas a série já vai para a quinta (eu acho). Procurei bastante nos streamings que assino e não achei. Só dava para assistir pagando pela Amazon Prime. Quem acabou me salvando foi o Stremio.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
  &lt;p&gt;A série acompanha pessoas presas em uma cidade onde a saída vira a própria entrada — um loop — e lá existe uma regra levada muito a sério: ninguém pode ficar fora de casa à noite, porque é nesse momento que aparecem os monstros.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Essas criaturas matam, caçam e brincam psicologicamente com as pessoas antes de atacar.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Se parar pra pensar, só essa premissa já abre espaço para um monte de interpretações filosóficas, religiosas (talvez??) e existenciais, mas não é sobre isso que quero falar. A série e esse texto são sobre &lt;strong&gt;luto&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um tema que atravessa a série inteira.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;spoiler-alert&quot; data-label=&quot;Spoiler do episódio&quot;&gt;
  Na S3EP3, Tian Chen Liu, &quot;dona&quot; da lanchonete comunitária da cidade, morre numa emboscada dos monstros e aquilo destrói completamente o Boyd, porque os inimigos queriam &quot;quebrar&quot; o protagonista, fazendo com que ele fosse obrigado a assistir à cena.
       
  Mais tarde, Kenny retorna depois de passar a noite fora tentando ajudar outro personagem. Ele chega trazendo comida para toda a cidade, só que, quando chega, percebe que a mãe não está ali esperando por ele.
&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;Então ele começa a chamar por ela. &lt;strong&gt;Essa cena me desmontou&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;figure&gt;
  &lt;img alt=&quot;Cena da série From mostrando dezenas de moradores reunidos em um velório dentro de uma casa antiga e desgastada. O ambiente é escuro e melancólico. No centro da imagem, um garoto segura um cobertor colorido enquanto os demais personagens observam em silêncio, transmitindo luto, exaustão e tensão coletiva.&quot; src=&quot;https://raw.githubusercontent.com/wagnerbeethoven/personal-blog-assets/refs/heads/main/blog/2026-05-10-from-season-3-episode-2-when-we-go-review-breakdown-mgm-plus-tv-series.jpg&quot; /&gt;
  &lt;figcaption&gt;Velório em From. Talvez uma das cenas mais pesadas da série até agora&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;

&lt;p&gt;Eu sou mole pra chorar, mas existem cenas que me pegam porque não assisto só como espectador. Me coloco ali dentro. Naquele momento pensei em mainha - é uma certeza que eu pensei nela por que ela já fala muito sobre morte, isso é complexo demais pra mim, falar disso com tanta tranquilidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A vida e a morte é muito complexa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Será que todas as pessoas mais velhas sempre falam nesse assunto?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pensei no dia em que ela não estiver mais aqui. Pensei que, quando isso acontecer, eu vou ser órfão — vou estar no mundo sem alguém para contar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sempre fico me perguntando se vou conseguir lidar melhor do que lidei com a morte do meu pai e da minha avó (esses eventos tiveram uma diferença de ~3-4 meses entre si). Porque toda minha vida foi apoiada muito na ideia espírita de continuidade, reencarnação e reencontro, mas, sendo honesto, não sei se tenho fé suficiente ainda.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;A pandemia me quebrou em pedaços que ainda não consegui juntar completamente, espero que a terapia ainda consiga me ajudar nisso.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A morte é uma certeza, às vezes ela vira alívio para quem está sofrendo, outras vezes, o sofrimento fica inteiro nas mãos de quem continua vivo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não sei se esse recreio tem fim, nem se era pra ter. Talvez nem devesse terminar.&lt;br /&gt;
Nas mídias que vejo com o contexto de imortalidade, sempre tem os que não querem ser imortais, porque a vida é pesada demais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Talvez tudo isso também tenha sido atravessado pela versão do Johnny Cash para Hurt.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;A certeza é que tem dias ruins que ainda valem a pena simplesmente porque foram vividos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A vida é linda.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Sun, 10 May 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/tem-dias-ruins-que-ainda-valem-a-pena/</link>
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      <category>Luto</category>
      
      <category>Família</category>
      
      <category>Memória</category>
      
      <category>Séries</category>
      
      <category>Pandemia</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>A dificuldade de deixar ideias pequenas</title>
      <description>&lt;p&gt;Talvez exista um pouco de Sagitário ♐ nisso, mas também acho que tem relação com ter crescido nos anos 80 e 90, numa época em que descobrir coisas ainda dependia mais de curiosidade do que algoritmo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sou de uma geração que aprendeu muita coisa desmontando. Mexendo em computador sem saber direito o que estava fazendo, entrando em fóruns estranhos da internet, criando perfil em plataforma que nem existe mais (vou morrer sem saber poir que meu perfil foi bloqueado do Orkut, eu só fazia baixar disco lá 🥺), aprendendo HTML na tentativa e erro (&lt;a href=&quot;http://revistagrito.com&quot;&gt;O Grito!&lt;/a&gt; que o diga!), instalando coisa quebrada só pra entender como funcionava, acho que isso moldou completamente meu jeito de trabalhar como designer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Até hoje tenho dificuldade em consumir tecnologia de forma passiva. Quando encontro uma ferramenta nova, quero entender estrutura, comportamento, limitações, possibilidades de adaptação. Uma simples ideia quase nunca fica isolada, ela começa a puxar outras conexões, outros sistemas, outras perguntas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Talvez por isso eu tenha tanta dificuldade em deixar projetos pequenos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Começo pensando numa página simples e, quando percebo, já estou imaginando taxonomia, feeds, acessibilidade, automações, organização de conteúdo, API, formas de publicação, arquitetura da informação, preservação de dados, experiência de leitura e mais uma quantidade absurda de possibilidades que provavelmente nem deveriam existir naquele momento. (esse site que você tá lendo mesmo que o diga, da uma olhada na página de &lt;a href=&quot;/stats/&quot;&gt;estatistica&lt;/a&gt; e na &lt;a href=&quot;/slashes/&quot;&gt;&lt;code class=&quot;language-plaintext highlighter-rouge&quot;&gt;/slashes&lt;/code&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como um bom sagitariano, existe sempre essa vontade de expandir um pouco mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tem um lado positivo nisso. Essa curiosidade constante me ajuda muito em discovery, estratégia e construção de sistemas mais conectados. Ao mesmo tempo, também cria uma certa dificuldade de encerramento. Sempre parece existir mais uma direção interessante para explorar, mais uma camada para investigar ou mais uma ideia querendo nascer no meio do caminho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acho que isso também explica parte da minha relação com a internet atual.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Cresci vendo a web como espaço de descoberta, experimentação e construção pessoal. Talvez seja por isso que hoje eu me interesse tanto por &lt;a href=&quot;/tags/#tag-indieweb&quot;&gt;IndieWeb&lt;/a&gt;, sites pessoais e espaços digitais menos dependentes de plataformas fechadas. Gosto da ideia de uma internet onde as coisas ainda podem parecer humanas, incompletas, estranhas e pessoais, mesmo com ia para me ajudar a “finalizar” as coisas com facilidade, sempre estou pensando num MVP a frente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E chegando aos 40 anos, isso começa a ganhar outro significado, existe menos vontade de parecer produtivo o tempo inteiro e mais interesse em construir coisas que façam sentido pra mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Projetos que talvez não virem produto (&lt;a href=&quot;/projects&quot;&gt;os que virarão estão aqui&lt;/a&gt;), escala ou performance, só espaços onde minhas obsessões, referências e curiosidades possam existir sem precisar pedir autorização para algoritmo nenhum.&lt;/p&gt;
</description>
      <pubDate>Wed, 06 May 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/a-dificuldade-de-deixar-ideias-pequenas/</link>
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      <category>IndieWeb</category>
      
      <category>Internet</category>
      
      <category>Projetos pessoais</category>
      
      <category>Blog pessoal</category>
      
      <category>Tecnologia</category>
      
      <category>Criatividade</category>
      
    </item>
    
    <item>
      <title>Capiroto + alta costura = pipoca murcha</title>
      <description>&lt;p&gt;Tem dias em que as coisas se encaixam meio sem querer, e esse foi um deles, porque no dia anterior de ir ao cinema acabei colocando pra rodar &lt;a href=&quot;/movies/o-diabo-veste-prada/&quot;&gt;O Diabo Veste Prada “1”&lt;/a&gt; no Disney+, mais por curiosidade do que qualquer outra coisa, e foi engraçado perceber como ele continua muito legal, a trilha ainda bate bem, tem muita referência pop e tudo flui fácil, mas principalmente porque ele usa a moda pra falar de identidade e de como as pessoas querem ser vistas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No dia seguinte fui ver &lt;a href=&quot;/movies/o-diabo-veste-prada-2/&quot;&gt;O Diabo Veste Prada 2&lt;/a&gt;, já com isso fresco na cabeça e com esse contraste meio inevitável entre passado (meu eu pop muito fã de muitas bandas) e presente (meu eu nada fã de muitas coisas, apenas gostando de algumas 😎), o que já mudou um pouco o jeito de assistir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Chegando no Cinépolis Patteo Olinda, antes mesmo do filme começar, já tinha um outro cenário acontecendo, parecia um desfile mesmo, salto alto brilhante, roupas mais longas, gente bem produzida, uma estética que me lembrou essa ideia de “moda gospel/avangê”, esse lugar de mostrar prosperidade, presença, status, o que é totalmente de cada um, claro, mas ao mesmo tempo eu ali achando meio exagerado e percebendo que estava fazendo exatamente o que o filme cutuca, julgando a forma como as pessoas querem se mostrar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pra completar, meu pedido padrão demorou uns bons 30 minutos pra chegar, pipoca média metade chocolate, metade salgada, Coca Light sem gelo (promo do cartão Santander), e isso já com o filme rolando, então acabei entrando meio atrasado na experiência, já fora do ritmo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E aí o filme começa a se desenhar, tentando atualizar a história da Miranda pra esse cenário mais atual, com redes sociais, influência digital, pressão por relevância, limites de trabalho, impacto da moda hoje, posição do luxo no mundo atual, mas tudo vai acontecendo de um jeito mais contido, como se tivesse muita coisa ali ao mesmo tempo, muitos personagens, muitos arcos, e nem tudo conseguisse respirar direito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A Miranda continua sendo esse centro de poder e controle, só que agora num ambiente onde isso já não funciona da mesma forma, e isso até abre umas possibilidades interessantes, principalmente nessa relação com o digital e com a perda de força do impresso, mas o filme parece sempre dar uma segurada antes de ir mais fundo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também senti que várias relações foram suavizadas, os conflitos não têm o mesmo peso, aquela tensão constante do primeiro não aparece do mesmo jeito, e tudo fica mais fácil de acompanhar, mais direto, menos incômodo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda assim, não é um filme ruim, a trilha continua sendo ótima, algumas coisas funcionam bem, e dá pra sair da sessão achando que valeu o ingresso, principalmente pelas músicas novas (Runway da Gaga com a Doechii ficou muito melhor depois desse clipe).&lt;/p&gt;

&lt;iframe width=&quot;1355&quot; height=&quot;762&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/XXIX2WnfbpE&quot; title=&quot;Lady Gaga, Doechii - RUNWAY (Official Music Video)&quot; frameborder=&quot;0&quot; allow=&quot;accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share&quot; referrerpolicy=&quot;strict-origin-when-cross-origin&quot; allowfullscreen=&quot;&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;p&gt;Ficou muito essa mistura de revisitar algo que funciona muito bem com encarar uma continuação num contexto completamente diferente, junto com tudo que aconteceu em volta ali no cinema, que acabou fazendo parte da experiência também.&lt;/p&gt;
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      <pubDate>Sun, 03 May 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
      <link>https://wgnr.blog.br/blog/capiroto-alta-costura-pipoca-murcha/</link>
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      <category>Cinema</category>
      
      <category>Moda</category>
      
      <category>Cultura</category>
      
      <category>Crítica</category>
      
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