A Mulher do Fim do Mundo

Elza Soares

A Mulher do Fim do Mundo (2015)

Meu choro não é nada além de carnaval
É lágrima de samba na ponta dos pés
A multidão avança como vendaval
Me joga na avenida que não sei qualé
Pirata e Super-Homem cantam o calor
Um peixe amarelo beija minha mão
As asas de um anjo soltas pelo chão
Na chuva de confetes deixo a minha dor

Na avenida deixei lá
A pele preta e a minha voz
Na avenida deixei lá
A minha fala, minha opinião
A minha casa, minha solidão
Joguei do alto do terceiro andar
Quebrei a cara e me livrei do resto dessa vida
Na avenida dura até o fim
Mulher do fim do mundo
Eu sou e vou até o fim cantar

Meu choro não é nada além de carnaval
É lágrima de samba na ponta dos pés
A multidão avança como vendaval
Me joga na avenida que não sei qualé
Pirata e Super-Homem cantam o calor
Um peixe amarelo beija minha mão
As asas de um anjo soltas pelo chão
Na chuva de confetes deixo a minha dor

Na avenida deixei lá
A pele preta e a minha voz
Na avenida deixei lá
A minha fala minha opinião
A minha casa minha solidão
Joguei do alto do terceiro andar

Quebrei a cara e me livrei do resto dessa vida
Na avenida dura até o fim
Mulher do fim do mundo
Eu sou, eu vou até o fim cantar
Mulher do fim do mundo
Eu sou e vou até o fim cantar
Cantar

Eu quero cantar até o fim
Me deixem cantar até o fim
Até o fim eu vou cantar
Eu vou cantar até o fim
Eu sou mulher do fim do mundo
Eu vou, eu vou cantar, me deixem cantar até o fim
Até o fim eu vou cantar, eu quero cantar
Eu quero é cantar eu vou cantar até o fim
Eu vou cantar me deixem cantar até o fim

Lárárálaiálaiá
Me deixem cantar até o fim
Me deixem cantar
Me deixem cantar até o fim
Me deixem cantar até o fim

Sobre a música

Lançada em 2015, A Mulher do Fim do Mundo dá nome ao álbum de Elza Soares. A música mistura carnaval, dor e resistência para contar a história de uma mulher que, mesmo atravessada por perdas e violências, insiste em continuar cantando. Na voz de Elza, marcada por uma trajetória de racismo, pobreza e violência, a composição ganha ainda mais força.

O contraste entre a festa e o sofrimento me faz pensar em quantas pessoas precisam continuar vivendo enquanto carregam dores que ninguém percebe. A avenida se torna um lugar onde a personagem deixa partes de si, incluindo sua voz e sua identidade. E há algo profundamente incômodo nessa insistência em cantar: perceber que, para algumas pessoas, até o direito de existir e ser ouvida precisa ser defendido até o fim.